Dissertações/Teses

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2014
Descrição
  • JULIANA HILARIO MARANHÃO
  • Narrativas de si em casos de abuso sexual contra adolescentes do sexo feminino
  • Orientador : VERIANA DE FATIMA RODRIGUES COLACO
  • Data: 25/09/2014
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  • As narrativas têm sido utilizadas nas Ciências Humanas e sociais em pesquisas cujo foco é compreender os significados pessoais que os sujeitos constroem para narrar um determinado período da vida, buscando os processos pelos quais as significações são criadas e negociadas. Em pesquisas com vítimas de violência, narrar torna-se um meio de verbalizar essa vivência e a possibilidade de retomar o evento traumático por meio de outros sentidos que viabilizem a proteção e o bem estar. Nesta pesquisa buscamos compreender a função mediadora da narrativa sobre si nas interações de adolescentes que vivenciaram situações de abuso sexual intrafamiliar, a partir da análise comparativa de narrativas construídas nos anos de 2011 (monografia) e 2013 (dissertação) de duas adolescentes da cidade de Fortaleza entrevistadas anteriormente no trabalho monográfico da pesquisadora. Portanto, é uma pesquisa qualitativa de cunho construtivo-interpretativo, baseada na perspectiva Histórico Cultural. A análise e organização dos dados foram realizadas em núcleos de significação, são eles: sentido de família: entre o risco e a proteção; o abuso sexual: sentidos em negociação; agressor e; outro caminho: aspectos protetivos na história de vida. No entanto, dada à singularidade das histórias de vida das duas jovens adotamos o núcleo de significação nomeado de altruísmo para uma das adolescentes e de relações entre o abuso sexual e a constituição da identidade para outra. Como resultado, encontramos que a vivência do abuso sexual continua sendo o mote para a elaboração da narrativa de si e para justificar, em alguns casos, a forma como as jovens se relacionam com os demais. Por fim, a resignificação da violência tem sido associada à possibilidade de ajudar ao próximo por meio da realização profissional.
  • JOSELENE MONTEIRO SILVA
  • A noção de defesa e suas implicações na clínica pós-freudiana
  • Orientador : LAERIA BESERRA FONTENELE
  • Data: 12/09/2014
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  • O foco desta pesquisa está na compreensão da noção de defesa na obra de dois psicanalistas pós-freudianos, Sándor Ferenczi e Melanie Klein, e entendimento das consequências para a técnica psicanalítica dos diferentes pontos de vista sobre o tema. A metodologia foi de pesquisa bibliográfica e além dos autores citados também foram usados Freud, como ponto de partida, e Lacan, como auxiliar para uma reflexão crítica. Iniciamos com uma análise das bases da noção freudiana de defesa, que, a princípio, mantinha estreita relação com a resistência, tratada como reflexo clínico do recalque. Tratamos, então, das relações entre resistência e clínica analítica na primeira tópica e também do papel do eu como promotor da defesa. Em seguida, detivemo-nos nos reflexos da segunda tópica para a noção de defesa. Finalmente, nos detivemos nas implicações clínicas do fracasso dos mecanismos de defesa causador de formações tais como sintomas e alucinações. No capítulo seguinte, exploramos a noção de defesa na obra de Ferenczi, focando especificamente no mecanismo do recalque, que foi o mais abordado pelo autor. Os textos desse autor foram abordados de forma cronológica não somente para tornar mais claro o curso de evolução do seu pensamento, como também para permitir o diálogo com textos freudianos do mesmo período. Ferenczi propôs diversas mudanças técnicas, com destaque para a técnica ativa e a neocatarse, e demonstramos a relação de suas propostas clínicas com sua forma peculiar de compreender o recalcamento. Depois disso, foi dedicado um capítulo às propostas kleinianas, no qual foram estudadas as posições esquizo-paranóide e depressiva, com atenção para os mecanismos defensivos específicos de cada uma. A compreensão de Klein acerca do luto e da inveja e sua relação com as defesas também foi importante para nossa pesquisa. Foi investigada ainda a relação da defesa com as propostas técnicas da autora. Por fim, servimo-nos das reflexões de Lacan acerca dos pós-freudianos para criticar as posturas adotadas por Ferenczi e Klein no contexto analítico. Tomamos ainda a afirmação lacaniana de que o desejo é uma defesa contra o gozo para explorar brevemente o lugar da noção de defesa no ensino desse autor.
  • DANIEL ITALO ALENCAR BARROS
  • O docente na corda bamba: o impacto da precarização laboral na subjetividade dos professores da rede pública de ensino do Estado do Ceará
  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 21/08/2014
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  • O presente estudo tem como objetivo analisar as novas formas de organização no mundo do trabalho e as consequências da precarização/ flexibilização laboral na subjetividade do trabalhador e como essas formas flexíveis de trabalho são percebidas pelos mesmos, tendo como pressuposto e entendimento que o processo de precarização não é um fenômeno homogêneo, mas atinge de forma diferenciada diferentes setores da classe trabalhadora. Focamo-nos no estudo da realidade laboral dos professores da Rede Pública de Ensino do Estado do Ceará, usando como referencial teórico a Sociologia do Trabalho e a Psicologia Social do Trabalho. Utilizando como aporte metodológico a sócio-hermenêutica de Alonso (1998), entendemos que a opção por uma amostragem não-probabilística e intencional escolhida nos ofereceu a possibilidade para um maior aprofundamento compreensível da percepção dos sujeitos afetados pela precarização e flexibilização laboral. Os relatos acerca do significado do trabalho apontaram percepções similares da situação laboral. Nas falas o assunto remetia a realidade laboral e insatisfação com relação à renda salarial, condições de trabalho e carga horária excessiva.
  • LUCAS VARELLA DE MOURA
  • Contexto de trabalho e trabalho docente: investigação com professores de inglês de cursos particulares de Fortaleza/CE
  • Orientador : JESUS GARCIA PASCUAL
  • Data: 21/08/2014
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  • O presente trabalho visa investigar o contexto de trabalho dos professores de inglês de cursos particulares de Fortaleza/CE a partir de suas percepções. O interesse para a presente pesquisa surgiu da inserção prévia do autor enquanto professor de inglês e enquanto psicólogo do trabalho, em um curso deste tipo, observando a realidade destes profissionais e ouvindo seus relatos. Devido à falta de pesquisas voltadas a este grupo específico, decidiu-se que a pesquisa estaria focada neste traçado do contexto de trabalho a partir das percepções dos professores, para que se pudesse auxiliar a elaboração de pesquisas futuras. O trabalho docente é um processo interativo, a docência sendo compreendida como uma forma particular de trabalho sobre o humano, ou seja, uma atividade em que o trabalhador se dedica ao seu ‘objeto’ de trabalho, que é justamente um outro ser humano, no modo fundamental da interação humana. Contexto de trabalho é algo que contempla fatores como ambiente de trabalho, relações de trabalho, processo de trabalho, organização do trabalho e carga de trabalho. Ele expressa e sintetiza uma parte objetiva do mundo do trabalho tomando como base o eixo de interação sujeito-atividade-mundo. Logo, consideramos “condição ou contexto de trabalho”, o conjunto de variáveis que permitem caracterizar dimensões quantitativas do ensino como o tempo de trabalho (diário, semanal, anual), o número de horas de presença obrigatória em classe, o número de alunos por classe, o salário dos professores, etc. A coleta de dados foi feita através da aplicação do questionário objetivo de Escala de Avaliação de Contexto de Trabalho (EACT) que contempla as dimensões: Organização do Trabalho, Condição de Trabalho e Relações Socioprofissionais. A análise se deu de acordo com os dados obtidos nos questionários e através de conversas ocorridas com os professores, durante a aplicação. De acordo om os resultados obtidos podemos concluir que a maioria dos professores percebem como Bom, o seu contexto de trabalho. Sendo a organização do trabalho mais para Razoável, e a condição de trabalho e as relações sócio-profissionais mais para Excelentes.
  • DANIEL RUBENS SANTIAGO DA SILVA
  • Trabalho e normatividade: uma análise ética dos discursos prescritivos do bom comportamento no trabalho
  • Orientador : JOSE CELIO FREIRE
  • Data: 21/08/2014
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  • Trata-se de estudo teórico acerca da normatividade característica dos discursos que prescrevem o “bom comportamento” no trabalho. Amparado pelas discussões gadamerianas, parte-se do “preconceito inicial” de que tais discursos são passíveis de uma crítica ética de base levinasiana. Os discursos normativos do bom comportamento - discursos que prescrevem jeitos de ser, sentir, falar e comportar-se no trabalho-, são primeiramente visados em textos informativos do cotidiano presentes em um jornal e uma revista. Tais textos, apresentados de forma exemplificativa, e vistos no contexto de informação e capacitação do trabalhador, funcionam como disparadores das questões centrais a serem enfrentadas pelo trabalho: seria possível articular uma crítica de fundamentação ética a tais discursos? Em que tais discursos seriam injustos? O recurso à crítica que se articula no campo psicossociológico é tomado como primeiro movimento da pesquisa. Encontra-se uma crítica articulada acerca da distância dos discursos que “prescrevem autonomia” e que “obrigam a participar”, por exemplo, das práticas concretas no interior das organizações contemporâneas. Trata-se de um discurso paradoxal. Percebe-se o lugar de destaque da teoria do Capital Humano como tecnologia de “autogestão”. Nada mais que “internalização do controle”. Passa-se por uma contextualização desse discurso no campo mais amplo das transformações sociais pelas quais passa a sociedade contemporânea líquida e suas inversões das responsabilizações públicas e privadas. O discurso normativo do comportamento acompanha, ou vem acompanhado, das transformações da sociedade privatizada, da sociedade que cria o sujeito psicologizado, artificialmente individualizado. Enfrenta-se, por fim, o desafio de articular uma crítica que se faça notar como eminentemente ética. A noção de subjetividade enquanto passividade frente ao Outro atravessa o Dizer ético de Lévinas no dito do texto acadêmico. O solo da Ética é o encontro face ao Outro, um Outro, único Outro, desnecessidade de leis, desnecessidade de regras. Com a entrada em cena do Terceiro, sempre a partir da ética de Lévinas, tenta-se articular uma justiça que seja o equivalente social do apelo ético da paridade eu-Outro. O julgamento ético se faz necessário com o Terceiro. Entram em cena as regras, as leis, o direito. O discurso prescritivo do “bom comportamento” no trabalho se revela uma lei injusta sem Alteridade. O encurvamento do eu sobre si na autogestão do Capital Humano mostra-se como fechamento ao Estrangeiro. O preconceito inicial de que tais discursos são passíveis de uma crítica ética parece legítimo.
  • VERÔNICA SIQUEIRA ARAÚJO
  • Tempo de (re)criação: uma análise da relação tempo/trabalho através dos discursos de um grupo de artesãos de Juazeiro do Norte-CE
  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 20/08/2014
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  • O presente trabalho versa fundamentalmente sobre duas categorias, quais sejam, tempo e artesanato. Ao longo do seu desenvolvimento, problematiza-se a noção de artesanato por meio de sua articulação com as ideias de trabalho e de arte. Nesse sentido, foi introduzido o elemento temporal como referente a partir do qual a atividade artesanal é analisada. Efetua-se, para tanto, um breve apanhado sobre as distintas concepções do conceito de tempo ao longo da história (etapa que cumpre o papel de evidenciar o caráter não natural da categoria em questão) e em seguida discute-se o papel do tempo no processo de criação. Depois de efetuado o diálogo entre as teorias que norteiam este estudo, parte-se para a apresentação da pesquisa empírica. Ancorada nos estudos de base qualitativa, a pesquisa propõe-se a ouvir o que um grupo de artesãos da cidade de Juazeiro do Norte – CE tem a dizer sobre suas atividades. Por meio da Análise Sociológica do Discurso e de uma aproximação da etnometodologia analisa-se a fala desses artesãos. Concluímos enfatizando a existência, em nossa sociedade, de um enorme desequilíbrio no que diz respeito aos quadros temporais e ao valor atribuído ao trabalho artesanal. Sugere-se, a partir de então, uma reflexão capaz de pensar nossa organização social sob parâmetros diferenciados dos que hoje imperam.
  • ALESSANDRA SILVEIRA HAHN
  • Concepções acerca do bullying na perspectiva de educadores do 6º ao 9º ano do ensino fundamental na cidade de Fortaleza/CE
  • Orientador : JESUS GARCIA PASCUAL
  • Data: 20/08/2014
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  • A violência no âmbito institucional escolar tem tomado proporções alarmantes sobre a sociedade. Por diversas vezes somos surpreendidos pela notícia de casos de abusos e intimidações sofridas e executadas por alunos e seus pares. Nosso trabalho surgiu das experiências advindas de observações em espaços escolares onde notamos que um tipo particular de violência era comum entre os alunos e reconhecida como bullying. Além das discussões referentes as representações sociais agregadas ao desenvolvimento psicológico destes sujeitos, o bullying é compreendido como um subtipo de comportamento agressivo e intencional, onde um ou mais agressores projetam sobre a vítima a imagem de superioridade ou desigualdade de poder, objetivando causar algum tipo de dano ou prejuízo a este. Pensar no desprazer de se estar em um ambiente considerado hostil e ameaçador nos provocaram determinados questionamentos, não apenas relativos aos sujeitos atrelados ou envolvidos nas ações desta prática violenta, mas, principalmente, ao olhar do professor como intermediador destas situações. O educador em sua conjuntura atual, enfrenta dois desafios: a necessidade de reinventar a escola como local de trabalho e reinventar a si mesmo como profissional da educação. Neste contexto a pesquisa em questão aborda os significados e sentidos atribuídos ao bullying na perspectiva dos educadores do 6º ao 9º ano do ensino fundamental na cidade de Fortaleza/ce. Além disso, buscamos relacionar tais concepções com as práticas educativas de combate a violência destes mesmos educadores. A elaboração e aplicação de um questionário possibilitou através da análise de conteúdo a categorização das expressões mais frequentes nas respostas dos educadores. Nossas análises resultaram em dois grupos categorias de significados e sentidos, onde um grupo maior foi representado pelas instituições: família e escola; e um outro grupo de categorias que culminou através de diferentes indicadores de respostas as definições de: ausência, brincadeiras, violência, respeito e con(vivência). A partir disso, é importante reconhecer que apesar de avançadas as pesquisas sobre a prática do bullying nas escolas, ainda sim, este tipo particular de violência confunde-se constantemente com um comportamento associado a “brincadeiras” violentas, onde alunos e professores sofrem com as consequências da falta de entendimento. A ação de profissionais competentes permite a boa prática associada ao conhecimento científico; e como pesquisadores preocupados com tal fenômeno não é possível pensar em uma ação mais positiva sem o auxílio de pessoas capacitadas e experientes em atender e promover condições melhores, em parceria, principalmente, com a comunidade escolar.
  • VINÍCIO BRÍGIDO SANTIAGO ABREU
  • Entre o marginal e o laboral: o trabalho de garotos de programa na cidade de Fortaleza/CE
  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 11/08/2014
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  • A prostituição alcança hoje visibilidade acadêmica e social notável – o que se diferencia de aceitação, respeito e abertura para a convivência – de modo a personalizar muitas das discussões relativas à interseção trabalho-sexualidade. Concebe-se prostituição enquanto trabalho sexual no qual se executam atos sexuais/eróticos/afetivos de diversos modos, mediados por trocas de recursos materiais e simbólicos e, desta forma, sendo configurado um empreendimento comercial para a obtenção de ganhos financeiros. O garoto de programa, figura chave da chamada prostituição masculina e desse estudo, pode ser definido como todo indivíduo que, mediante remuneração, de maneira habitual, sob qualquer forma, entrega-se em relações sexuais com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto. Atualmente esses trabalhadores do sexo são relegados à marginalização, exclusão social, precariedade no trabalho e culpabilização; tendo o acesso à Saúde, ao Direito do Trabalho, à Segurança Pública e, principalmente, à dignidade, relegados quando associados a sua atividade laboral. Tal atividade lhes confere uma situação de vínculo aparentemente intermitente ou debilitado em relação ao mercado de trabalho. Estes vínculos precários ocorrem despossuídos de objetivos coletivos bem definidos, carecendo de “inscrição do sujeito em estruturas portadoras de um sentido” e ainda de projetos integrados que deem sentido às interações sociais. Com base nisso, objetivou-se investigar a atividade laboral realizada por garotos de programa na cidade de Fortaleza, compreendendo suas implicações e repercussões na vida desses trabalhadores, assim como identificar e caracterizar os pontos de prostituição masculina e seus atores, em especial as saunas gays; conhecer as negociações e regras presentes nestes contextos; examinar as diferenças relativas aos locais, público-alvo ou características dos garotos; e analisar os processos de filiação/desfiliação vivenciados pela inserção/marginalização laboral e social dos garotos de programa. Optou-se por uma metodologia qualitativa na concepção da pesquisa, através de recursos etnográficos na inserção e permanência do pesquisador nos espaços de prostituição masculina da cidade e pela Análise Sociológica do Discurso como recurso para a realização de entrevistas e de análise dos dados. Após a identificação dos espaços de prostituição, foram escolhidas duas saunas gays da cidade como lócus de investigação. Ao todo, foram dedicados 10 meses de observação nesses locais, tendo sido realizadas 4 entrevistas formais e várias outros conversas informais com garotos de programa dessas saunas. A prostituição masculina em Fortaleza mostrou-se como um espaço de conflitos, de ausência de direitos trabalhistas e, muitas vezes, civis e de cumprimento às leis. Destaca-se, pela fala dos entrevistados, a violência simbólica durante o trabalho, a ausência de representatividade de classe, de visibilidade de interesses e de participação na elaboração de políticas voltadas a eles. É nesse espaço marginal que os garotos de programa atuam, utilizando recursos de criatividade para permanecer na atividade. Ao mesmo tempo, essa atividade está diretamente vinculada com a formação de suas identidades pessoais, seu posicionamento diante do mundo e seu auto-julgamento de valor.
  • IAGO CAVALCANTE ARAUJO
  • Peter Schmid e a Abordagem Centrada na Pessoa: uma aproximação da alteridade radical
  • Orientador : JOSE CELIO FREIRE
  • Data: 01/08/2014
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  • A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), fundada por Carl Rogers, só pode ser justificada a partir de um conjunto de valores e de uma ética e não somente como uma aplicação de técnicas e conhecimentos. Além disto, a partir dos estudos de Figueiredo (1996) fica estabelecida a importância do éthos como busca de um lugar para o Outro na constituição das psicologias. Naquilo que se refere ao Lugar do Outro na constituição da subjetividade, Freire (2002) investiga o lugar para a alteridade nas diversas psicologias modernas e afirma que, na ACP, o lugar para a alteridade radical levinasiana está vacante, assim como nas demais psicologias. O Outro, conforme postulado por Lévinas (2008 [1961]), é precedente e transcendente ao Eu; não sendo possível totalizá-lo e compreendê-lo inteiramente, ele apresenta a dimensão do estranho na experiência psicológica. Este Outro não é figura tão cara para as psicologias como aparenta ser. Por outro lado, Peter Schmid (1999) concebe que a ética é a primeira questão a ser pensada quando se trata da ACP, quer de sua teoria, quer de sua prática. Daí que o presente trabalho visa apresentar a obra de Peter Schmid à comunidade brasileira da abordagem rogeriana. A perspectiva deste autor está alicerçada em um diálogo importante com as filosofias do diálogo e uma visão do humano como radicalmente pessoa, o que oferece outra forma de encarar a alteridade na teoria e prática rogerianas. Tal mudança apresenta uma profícua aproximação com a filosofia ética de Emmanuel Lévinas. Como metodologia para o estudo, utilizamo-nos de um quase-método inspirado nas filosofias de Lévinas (2008 [1961]) e Jacques Derrida (2007), em que buscamos, entre outras coisas, pôr à mostra a polissemia dos discursos estudados. Concluímos que, apesar da perspectiva formulada por Schmid apresentar divergências com a ética levinasiana, ao fazer releituras dos principais conceitos da ACP, ela apresenta uma maior aproximação com aquela e uma nova forma de lidar com a alteridade dentro do arcabouço da abordagem rogeriana. Esperamos, com este trabalho, fomentar um maior diálogo e produção acerca do cuidado clínico e psicoterapêutico com a pessoa e o lugar oferecido para a alteridade na psicologia rogeriana.
  • LORENA BRITO DA SILVA
  • Implicações psicossociais da violência no modo de vida de prostitutas pobres
  • Orientador : VERONICA MORAIS XIMENES
  • Data: 28/07/2014
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  • Esta dissertação surge do interesse de estudar a prostituição feminina e a violência, dois fenômenos polissêmicos e complexos. Especificamente, essa relação está sendo abordada no contexto da baixa prostituição ou baixo meretrício, o qual é caracterizado por uma relação dialética entre a experiência da prostituição e o contexto da rua, potencializando uma série de vulnerabilidades e de modos de sociabilização. A violência reflete a lógica histórica e privada de silenciamento e reprodução ainda que ocorra em espaço público, não existindo especificamente no que diz respeito à violência contra prostitutas dados representativos no país. Os modos de vida são o cenário privilegiado para o estudo das implicações psicossociais da violência por revelarem as condições simbólicas e materiais de produção de subjetividades, de organização da vida e das relações nas zonas de prostituição. Diante dessas questões, surge como pergunta de pesquisa como as implicações psicossociais da violência impactam no modo de vida das prostitutas em situação de pobreza? O objetivo geral do estudo é compreender as implicações psicossociais da violência no modo de vida de prostitutas pobres. Os objetivos específicos são: Descrever os modos de vida de mulheres que exercem a baixa prostituição; Compreender os sentidos construídos sobre a violência; Identificar os modos de enfrentamento à violência construído pelas prostitutas. A pesquisa é de natureza qualitativa, tendo sido desenvolvida junto a 7 mulheres que vivem e batalham na Barra do Ceará (Fortaleza). O caminho investigativo teve uma perspectiva etnográfica, tendo sido realizados como procedimentos metodológicos de construção de dados a observação participante, a visita dialógica, a entrevista individual e a técnica dos objetos geradores. Para análise de dados foi realizado a Análise de Conteúdo Temática de Bardin, com o auxílio do software ATLAS.ti 5.2. As 57 categorias de análises encontras foram organizadas em três grandes categorias intituladas de “Modos de vida de prostitutas pobres”, “sentidos sobre violência na prostituição”, “expressões psicossociais da violência no modo de vida”. Como principais resultados, percebeu-se que a dinâmica da baixa prostituição está engendrada com a dinâmica territorial, estando os códigos e regras da zona de prostituição em constante disputa e acordo com a comunidade. A violência articula-se como uma teia relacional que acaba por impedir o reconhecimento do outro (classe, gênero ou etnia) mediante o uso da força física ou simbólica, minando as possibilidades de diálogo, por um lado, e criando outros códigos, formas de interação e performances sociais, por outro. Como principais modos de enfrentamento estão analisar o perfil do cliente e as condições para realização do programa, estabelecer uma rotina e uma organização pessoal de trabalho, participar de espaços e grupos religiosos, estar vinculada a casa ou bares específicos, manter laços de parceria na zona de prostituição.
  • LARISSA FAÇANHA DE MATTOS DOURADO
  • Comprometimento com o trabalho de policiais militares do Programa Ronda do Quarteirão do Ceará
  • Orientador : ANTONIO CAUBI RIBEIRO TUPINAMBA
  • Data: 06/06/2014
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  • A dissertação apresenta uma análise das dimensões do construto “comprometimento com o trabalho” no contexto profissional dos policiais militares do Ceará vinculados ao Programa Ronda do Quarteirão. A identificação das dimensões psicológicas relacionadas foi averiguada de acordo com a percepção dos policiais quanto à sua prática profissional a partir da aplicação de escala validada e realização de grupo focal. O objetivo principal foi caracterizar o comprometimento no trabalho a partir da percepção dos próprios policiais, na tentativa de analisar sua relação com a sua prática profissional em paralelo a uma problematização da proposta do policiamento comunitário do Ronda do Quarteirão. A amostra de pesquisa se concentrou em policiais do Ronda que se voluntariaram a responder a Escala e alguns em participar presencialmente de um grupo focal cujo intuito era de compreender melhor as variáveis relacionadas com a categoria central do estudo. Foi utilizada também a Escala Hexadimensional, que diferencia o tipo de comprometimento a partir de seis dimensões psicológicas proposta por Armênio Rego, adaptada para uma versão digitalizada no Google Forms. As informações coletadas foram tratadas mediante estatística descritiva simples e tabulação de dados com uso do software SPSS. Os dados coletados no grupo focal foram transcritos e interpretados a partir do cruzamento com dados quantitativos. Com base nos resultados quantitativos, encontraram-se níveis baixos em todas as dimensões do comprometimento. Os dados qualitativos confirmaram tal informação no que tange à baixa satisfação no trabalho apontada pelos profissionais, por considerarem a prática muito distante das propostas de policiamento comunitário que utilizam como modelo, este advindo de práticas internacionais que diferem bastante da cultura cearense. Conclui-se que o contexto de trabalho dos policiais do Ronda apresenta características que impactam negativamente num maior comprometimento do tipo afetivo, por apresentar uma grande lacuna entre o objetivo e a filosofia do Ronda e a prática policial. Os policiais do Ronda se veem criticados e ameaçados por uma questão de segurança pública que julgam envolver instâncias muito maiores do que eles, fato que os desmotiva com sua profissão antes tão sonhada. No mais, os achados da pesquisa e análises contribuem para aumentar o nível conceitual da psicologia dentro do campo investigado, bem como abre possibilidade de estudos futuros com foco de intervenção e reflexão sobre a formação policial e o sofrimento psíquico desta categoria profissional que se encontra em expansão.
  • MARIA ZELFA DE SOUZA FEITOSA
  • Afetividade na residência integrada em saúde: o psicólogo no território de form"ação"

  • Data: 06/06/2014
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  • A afetividade pode ser compreendida como a passagem de um estado de potência a outro, que conduz corpo e mente, entendidos como uma totalidade, à ação ou à passividade. Admite-se que o trabalho do psicólogo, no âmbito das políticas públicas de saúde, entre outras questões, está perpassado por afetos emergentes do encontro com o território, e que a formação profissional contribui para a maneira como esta atuação se efetiva. Assim sendo, nosso estudo objetivou analisar o impacto da afetividade (emoções e sentimentos) na atuação de psicólogos-residentes em políticas públicas de saúde, de nível primário e secundário, a partir de seu contato com o território dos serviços. Para tanto, elegemos como lócus da pesquisa a Residência Integrada em Saúde (RIS), vinculada à Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), nas ênfases de Saúde da Família e Comunidade e Saúde Mental Coletiva. Neste intento, foram adotadas como principais bases teóricas a Psicologia Social de base Histórico-Cultural, desenvolvida por Silvia Lane e colaboradores, e a Psicologia Ambiental. Caracterizando-se como uma pesquisa qualitativa, a coleta de dados foi realizada por meio da aplicação da parte qualitativa do Instrumento Gerador dos Mapas Afetivos, cuja análise se efetivou por meio da Análise de Conteúdo Categorial e da Análise do subtexto, do sentido e do motivo; e Entrevista Semiestruturada, analisada por meio da Análise de Conteúdo Temática, com o auxílio do software Atlas.ti. Os resultados obtidos na pesquisa revelaram uma Estima de lugar negativa em relação ao serviço de saúde onde os psicólogos-residentes atuam, denotando, entretanto, uma tendência à implicação positiva com o território – mais especificamente a comunidade e os usuários – e com o ideal do que o serviço deveria ser, havendo o predomínio da imagem de contrastes nos mapas. As entrevistas também refletiram a predominância de imagens de contrastes em relação à formação acadêmica e contrastes e agradabilidade relacionadas à RIS, apontando para uma maior satisfação com a formação em serviço. As principais práticas desenvolvidas referiram-se a atividades de grupo, atendimentos individuais e visitas domiciliares. Esperamos que a pesquisa desenvolvida contribua para a discussão da prática do psicólogo nos serviços públicos de saúde e da proposta da Residência Multiprofissional, como formação em serviço. Agradecemos à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), pela concessão da bolsa de Mestrado.

  • IRVINA LEITE DE SAMPAIO
  • As incidências do supereu na clínica da histeria

  • Data: 30/05/2014
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  • A presente pesquisa originou-se a partir de questões que se decantaram no decurso de nossa prática clínica com pacientes histéricos. Os achados provenientes desta clínica chamaram nossa atenção para a ação da instância superegóica nos sujeitos estruturados pela via da neurose histérica, o que nos direcionou a percorrer um caminho teórico-clínico cujo objetivo central era investigar as especificidades da incidência do Supereu na clínica da histeria, bem como os efeitos de tais particularidades para a posição do analista na direção do tratamento. Metodologicamente, partimos da clínica como sustentáculo maior de nossos questionamentos, para então chegarmos à teoria psicanalítica enquanto esteio de tais discussões. Ao nos propormos a discutir acerca das nuances das modalidades de comparecimento do Supereu em uma clínica nomeada como clínica da histeria demarcamos, logo de início, o modo como se opera a estruturação psíquica na neurose histérica, levando em consideração a castração, a identificação, o desejo e o gozo. Servimo-nos de casos clínicos apanhados da seara freudiana entrelaçados às elaborações metapsicológicas de Freud e às construções teóricas empreendidas por Lacan no tocante à histeria. Privilegiamos os casos clínicos de Freud edificados no período de sua primeira tópica do aparelho psíquico, por entendermos que tais construções nos ofereceram um panorama aprofundado do funcionamento psíquico dos sujeitos histéricos, sem o qual não teria sido possível compreender as singularidades da ação do Supereu nesta estrutura. Perscrutamos as incidências do Supereu na histeria a partir das obras de Freud, Lacan e Didier-Weill, o que nos levou a estabelecer contrapontos e aproximações entre o comparecimento da instância superegóica na neurose obsessiva e na histeria. Por intermédio do estudo da formação e das possibilidades de atuação do Supereu nestes dois tipos clínicos da estrutura neurótica, estabelecemos articulações entre Supereu, identificação e sintoma na clínica psicanalítica da histeria. Tais articulações foram viabilizadas pela apresentação e discussão de fragmentos de casos clínicos provenientes de nossa prática, que nos indicaram como operam, de um modo geral, o gozo e a culpa inerentes ao Supereu na neurose histérica e nos fizeram pensar acerca dos efeitos disto para a posição do analista na direção da cura. Destacamos entre nossos achados mais relevantes a demarcação de que na neurose histérica a dimensão da culpa atrelada ao Supereu engloba, mas ultrapassa o modelo culpa-sintoma próprio à neurose obsessiva. Com isso, tornou-se possível postularmos uma maior inconsciência da instância superegóica na neurose histérica, representada, entre outros aspectos, pela ação do sentimento de culpa inconsciente, a qual produz efeitos tão nefastos quanto aquela agenciada pelo sentimento de culpa consciente. Constatamos assim, que um dos maiores obstáculos à direção da cura produzido pela incidência do Supereu na clínica da histeria se refere à fixação do sujeito em uma posição de gozo que o aliena aos significantes advindos do Outro, impedindo-o, de produzir seus próprios significantes. O gozo com a queixa agenciado pela ação do Supereu pode vir a se constituir como um empecilho à continuidade da análise. A relevância de nosso trabalho implica em podermos problematizar a posição do analista na direção da cura diante de tais efeitos superegóicos na clínica da histeria.

  • LUARA DA COSTA FRANÇA
  • Cartografando as medidas socioeducativas em meio aberto no município de Fortaleza

  • Orientador : LUCIANA LOBO MIRANDA
  • Data: 23/05/2014
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  • Este trabalho teve como objetivo descrever e analisar as práticas que atravessam a operacionalização das medidas socioeducativas em meio aberto (Liberdade Assistida – LA e Prestação de Serviço à Comunidade – PSC) no Município de Fortaleza, a partir da analítica foucaultiana. Metodologicamente, fizemos uma pesquisa intervenção baseada no método cartográfico. Realizamos visitas aos espaços onde se operacionalizavam as medidas (Núcleos e os Centros de Referências Especializados de Assistência Social - CREAS) nas regionais de Fortaleza onde participamos de grupos de acolhidas de socioeducandos e de atendimento de construção de Plano Individual de Atendimento (PIA). Buscou-se cartografar a aplicação da Liberdade Assistida e da Prestação de Serviço à Comunidade através do uso de diários de bordo e de entrevistas com técnicos, adolescentes e familiares. Fez-se necessário investigar o território discursivo de construção da adolescência (em especial, da adolescência infratora, percebendo a disputa dos termos “adolescência” e “juventude”), bem como o cenário histórico brasileiro, entendendo-os como condição de possibilidade para a invenção das medidas socioeducativas. Usamos das contribuições de Foucault acerca do biopoder, ao articular as práticas disciplinares (que incidem sobre o socioeducando) e práticas biopolíticas que gerenciam a população da adolescência pobre/infratora. Usamos como elementos de análises algumas cenas enunciativas que se destacaram no processo de produção do campo. Nas cenas destacam-se os três A (Acolher, Assinar e Aderir) e os três C (Cidadania, Confissão e Contestação da LA e da PSC). Por fim, analisa-se também a implicação do pesquisador no próprio pesquisar.

  • ALEXSANDRA MARIA SOUSA SILVA
  • Análise das implicações psicossociais do protagonismo para os jovens em situação de pobreza

  • Orientador : VERONICA MORAIS XIMENES
  • Data: 16/05/2014
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  • Esta pesquisa se insere no encontro entre dois campos de estudo e atuação: Psicologia e Juventude e abordará o protagonismo para jovens em contexto de pobreza. A relevância deste tema destaca-se pela ênfase com a qual é tratado o conceito de protagonismo juvenil na sociedade contemporânea, numa dimensão conceitual e prática sendo um termo cheio de facetas e pluralidade. Dessa forma, o foco das políticas, que é assumir o protagonismo juvenil, se dá no sentido de efetivar esse caminho como via de superação das condições de pobreza, no entanto essa realidade se constrói de modo a impor aos jovens pobres a necessidade de serem protagonistas. Assim sendo, tem como objetivo analisar as implicações psicossociais do protagonismo para os jovens pobres. Tomando como base uma metodologia qualitativa, a pesquisa foi desenvolvida junto dos jovens de um grupo de dança, participantes do Centro Urbano de Cultura, Ciência, Arte e Esporte (CUCA) Che Guevara, uma política pública para juventude, localizado na Barra do Ceará, na cidade de Fortaleza. O processo de construção de dados abrangeu o uso da observação-participante, a aplicação do Questionário Sócio-Econômico com 11 jovens, a realização de um grupo focal, com 7 jovens e 2 entrevistas individuais com jovens que haviam participado dos momentos anteriores. Os dados foram analisados a partir da Análise de conteúdo, de Bardin, com auxílio do software de análise qualitativa Atlas TI 5.2. Foram obtidas 37 categorias, onde foram selecionadas as que se relacionavam ao objeto estudado e estas foram agrupadas em grandes categorias: “modos de vida”, “protagonismo” e “políticas públicas”. Ao final deste estudo percebe-se que as implicações psicossociais do protagonismo se dão através do fortalecimento, do exercício da liderança e reconhecimento social. O fortalecimento está relacionado à autonomia e toma como base o apoio social, aparecendo como destaque o apoio familiar e institucional, a liderança do jovem que toma como base o diálogo e a co-participação, e o reconhecimento social esta relacionado à promoção da cidadania. Esta, por sua vez, está relacionada à participação e autonomia. Percebe-se que o protagonismo se faz presente por um conjunto de elementos, que são de natureza política, educativa, social e psicológica e que assim sendo, pode se apresentar como um caminho de enfrentamento à pobreza multidimensional. A criação de espaços, nas políticas públicas, deve se dar na direção de favorecer as potencialidades inerentes a cada jovem e assim contribuir com a promoção do protagonismo, pautado numa práxis da libertação. Agradecimentos à FUNCAP.
  • ISADORA DIAS GOMES
  • "A gente vive de sonho": sentidos de futuro para adolescentes privados de liberdade

  • Orientador : VERIANA DE FATIMA RODRIGUES COLACO
  • Data: 23/04/2014
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  • A presente dissertação trata de um estudo qualitativo, do tipo pesquisa-intervenção, desenvolvido na cidade de Fortaleza a respeito do significado de futuro para adolescentes autores de atos infracionais em cumprimento de Medida Socioeducativa de internação, tendo como marcos teóricos principais a teoria histórico-cultural de Vygotsky e a análise do discurso bakhtininana. Essa investigação teve como ponto de partida a atuação profissional da autora em uma unidade de internação para adolescentes, diante das dificuldades em se elaborar um projeto de vida individual com os jovens atendidos pela unidade, sendo tal projeto parte integrante do relatório semestral obrigatório. A socialização em um contexto de violência urbana, a exposição a situações de risco, o uso abusivo de drogas, o envolvimento com grupos rivais e a iminência da morte e da privação de liberdade estaria constrangendo a significação de futuro e se fazia necessário conhecer melhor essa psicodinâmica. Sendo assim, após a elaboração de um estudo piloto, em unidade de internação provisória, foi feita uma oficina temática com cinco encontros, tendo participado da mesma cinco adolescentes fortemente envolvidos com a cultura do crime. Após a transcrição das gravações em áudio e vídeo dos encontros, foram analisados em três grandes blocos temáticos: identidade cultural, risco e liberdade e futuro. Como resultados alcançados é possível destacar que, na teia semiótica relacionada com o signo-futuro, são observadas duas claras tendências diferentes e complementares. Uma está relacionada com um futuro mais próximo e à possibilidade de tomar decisões em curto prazo, ligada ao estabelecimento de uma meta, ao planejamento para as coisas do cotidiano. A outra está ligada ao sonho, ao que consideram ser uma motivação mais profunda, porém que acreditam ser uma motivação utópica e não fazem reais planejamentos para concretizar. O sonho tem a função de carregar a vida do desejo de viver, de poder realizar o transporte imediato do sofrimento para a boa vida desejada, por meio do pensamento. Já o signo-mudança se situa em um plano intermediário entre o sonho e a meta, já que a mudança desejada é considerada quase utópica, mas exige um direcionamento, um real planejamento para que a mesma se efetive. Fica clara a falta de recursos para que tal projeto se realize e que de fato a função de reintegração social do centro socioeducativo – com vistas a um rompimento do envolvimento com o crime – possa se efetivar.

  • ANA CAROLINA PACHECO BITTENCOURT FONTES
  • Mais além dos transtornos alimentares: a impulsão e a compulsão a partir da clínica psicanalítica

  • Data: 10/04/2014
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  • Nossa pesquisa partiu dos achados advindos de nossa experiência clínica junto a uma equipe de trabalho interdisciplinar que tinha o propósito de tratar transtornos alimentares. No nosso caso, trabalhamos mais especificamente com pacientes que nos eram indicados com o diagnóstico prévio de transtorno de compulsão alimentar. Os problemas clínicos decorrentes desse tipo de diagnóstico nos levaram a problematizar os diferentes fenômenos relacionados com o esse tipo de patologia que incide sobre a pulsão em sua relação com o alimento. Tal aspecto nos levou ao objetivo de procurar compreender e diferenciar, à luz da teoria psicanalítica, as manifestações psicopatológicas da impulsão e da compulsão em geral e mais especificamente em relação ao alimento, em suas relações com os conceitos de gozo, desejo e angústia. Além disso, buscamos refletir acerca das implicações clínicas dessas relações para o tratamento de pacientes que manifestam tais sintomas ou atos, levando em consideração, principalmente, as possíveis medidas terapêuticas a serem propostas pela equipe para o tratamento do paciente, sobretudo sobre a prescrição ou não da cirurgia bariátrica e suas possíveis consequências para os pacientes em sua singularidade, tendo em vista a ocorrência, já registrada em pesquisas anteriores, de óbitos ou de reganho de peso após a realização da mesma. Do ponto de vista metodológico, nos valemos da precisão de conceitos necessários à nossa reflexão clínica, principal condutora de nossa análise, acerca de casos por nós atendidos e por casos clássicos e contemporâneos que se revelaram relevantes para o tratamento de nossas questões de pesquisa. Neste contexto nos ocuparmos, mais detidamente, na análise desses casos para compreendermos a complexidade e a relevância clínica das articulações que as impulsões e as compulsões estabelecem com as categorias de sintoma e ato. A partir disso, destacamos a importância de diferenciar a direção do tratamento e a posição do analista, quando no contexto de um tratamento padrão e quando inserido em equipes interdisciplinares que se dedicam ao tratamento de pacientes que manifestam tais sintomas ou atos como, por exemplo, é o caso dos programas voltados para o tratamento de patologias que produzem efeitos de recusa ou excesso alimentares e que, em geral, as definem, segundo a classificação internacional das doenças, como Transtornos Alimentares. Dentre nossos principais achados conclusivos, constatamos que as ações compulsivas devem ser compreendidas como encarnação dos sintomas, estão inseridas na lógica do gozo fálico e são formadas com o fito de evitar a emergência da angústia. Já as impulsões são atos que emergem suscitando uma satisfação corporal que deixa o sujeito mudo e sem lugar e estão inseridas na lógica de um gozo autoerótico, situado entre o gozo do ser e o gozo fálico. Por não serem compreendidas como sintomas, mas como atos, as impulsões podem aparecer em sujeitos organizados em qualquer uma das três estruturas clínicas. Tais achados nos possibilitaram refletir acerca da direção do tratamento em casos de compulsão e/ou impulsão diagnosticados pela psiquiatria como portadores de compulsão alimentar. Assim, a originalidade do nosso trabalho está na abordagem que realizamos do diagnóstico psiquiátrico de compulsão alimentar, a partir da perspectiva psicanalítica da impulsão e da compulsão. Consideramos, afinal, que os resultados deste trabalho podem contribuir para o tratamento de casos relacionados a outros quadros clínicos que envolvem outros objetos que não aqueles das patologias alimentares como, por exemplo, as adições em geral, o vício em jogo, o consumo patológico, dentre outros.

  • RAFAELLA MEDEIROS DE MATTOS BRITO
  • As histórias contadas na clínica: narrativa e transformação na psicoterapia
  • Data: 01/04/2014
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  • Esta pesquisa busca explorar a relação entre narrativa e transformação na psicoterapia, através do significado que clientes da Clínica Escola de Psicologia da UFC, que já vivenciaram experiências traumáticas, atribuem: ao processo psicoterápico, às mudanças percebidas, ao terapeuta inserido no processo de transformação e à importância de se narrar no setting terapêutico. Além disso, consideraram-se as implicações culturais nas histórias pessoais, percebendo, assim, a narrativa não só como uma produção individual, mas também histórica e relacional. O referencial teórico utilizado foi o da Psicologia Narrativa, que postula que a experiência humana se faz inteligível quando transformada em narrativa. No campo da psicoterapia, essas formulações vão influenciar as terapias pós-modernas, tais como a Terapia Narrativa e a Abordagem Colaborativa. Os principais autores utilizados nesta pesquisa foram: Harlene Anderson, Harold Goolishian, Michael White, David Epston, John McLeod, Jerome Bruner, Kenneth Gergen e Marilene Grandesso. Dentro deste vasto campo de estudo, pressupõe-se que a construção de narrativas, por sua capacidade de gerar significados, é terapêutica em si. Esta pesquisa transcorreu mediante três entrevistas semiestruturadas, que foram transcritas e submetidas a uma análise temática. Observou-se que esses clientes chegaram à clínica com ideias preconceituosas a respeito da prática psicoterápica, mas, ao longo do tempo, tornaram-se extremamente comprometidos com a terapia, reconhecendo o papel fundamental que esta desempenhou na mudança de suas atitudes e significados atribuídos a suas realidades e a si mesmos. O terapeuta é visto, neste processo, como um facilitador que explora conteúdos antes não percebidos, mediando o diálogo do cliente com ele mesmo. A narrativa aparece na clínica como uma construção de sentido propiciadora de liberdade, levando a processos de ressignificação, reautoria e reorganização da experiência.
  • DARLENE PINHO FERNANDES
  • Explicando comportamentos socialmente desviantes: uma análise do modelo da coerção de Patterson

  • Data: 12/03/2014
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  • O Modelo da Coerção, proposto por Patterson, apresenta algumas variáveis explicativas do desenvolvimento de comportamentos socialmente desviantes, a saber: treinamento básico em casa, rejeição social, fracasso escolar e adesão a grupos desviantes. Com o objetivo de se testar as quatro fases do modelo, foi realizado um estudo transversal, considerando três amostras de conveniência, compostas por aproximadamente 100 estudantes provenientes de escolas públicas ou privadas da cidade de Fortaleza-CE. Os participantes responderam ao Strenghts Difficulties Questionnaire (SDQ), ao Inventário de Estilos Parentais (IEP), ao Questionário de Conduta Antissocial (CCA), à Escala de Solidão, às variáveis relativas ao desempenho acadêmico e ao envolvimento com grupos de pares desviantes, além de perguntas de caráter sociobiodemográfico. A coleta dos dados ocorreu, variando de acordo com a amostra, com os professores, pais e alunos vinculados à instituição pesquisada. Ressalta-se que todos os procedimentos éticos foram adotados a fim de viabilizar a pesquisa. As análises dos dados foram realizadas pelo SPSS 19. O Estudo 1, que buscou a avaliar a primeira etapa do modelo, apresentou informações acerca do poder explicativo dos estilos parentais em relação aos problemas de conduta na infância.  O Estudo 2, cujo objetivo foi testar a segunda fase do Modelo da Coerção, apontou que os problemas de conduta apresentam poder explicativo em relação à rejeição social e ao baixo desempenho acadêmico. O Estudo 3 teve como propósito testar a terceira e quarta fase do modelo, os resultados encontrados apoiaram, em parte, a proposta teórica de Patterson para essas fases, uma vez que a variável estilos parentais (em detrimento à rejeição social e o baixo desempenho acadêmico)  se apresentou como a variável com maior poder explicativo em relação à associação com grupos desviantes que, por sua vez, apresentou-se como importante preditora na explicação dos comportamentos socialmente desviantes. Portanto, confia-se que os resultados alcançados permitiram testar as variáveis sugeridas pelo modelo de Patterson em contexto brasileiro, contribuindo para o conhecimento acerca dos correlatos do comportamento antissocial.

  • ALEX SANDRO DE MOURA GRANGEIRO
  • Escala de comportamentos antissociais: construção e evidências de validade

  • Data: 11/03/2014
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  • A presente dissertação teve por objetivo principal a construção de uma escala de mensuração dos comportamentos antissociais cuja aplicabilidade ultrapasse prováveis barreiras conceituais, regionais e culturais. Para tanto, buscou-se elaborar uma medida que congregasse aspectos operacionais (itens) comuns a diferentes perspectivas teóricas e contextos culturais. Para isso, foram realizados três estudos específicos.  O Estudo 1, de caráter mais teórico, teve por objetivo selecionar um conjunto de itens que atendessem ao critério de representar/operacionalizar adequadamente os comportamentos antissociais em diferentes culturas. Para tanto, analisou-se um conjunto de 805 itens segundo dois critérios, a saber: (a) constar em quatro ou mais das escalas avaliadas e (b) estar presentes em estudos que abranjam três ou mais continentes. Com base em tal crivo, chegou-se a um conjunto inicial de 57 itens. Após realizados os procedimentos de validação semântica, foi constatada a pertinência de eliminação de 4 itens e da construção de 2 novos, ficando assim, a versão preliminar da escala, composta por 55 itens. O Estudo 2 teve por objetivo construir um instrumento, a partir dos itens resultantes do estudo anterior, e reunir evidências de suas propriedades psicométricas. Participaram deste estudo 250 pessoas, distribuídas em duas amostras específicas. A primeira foi composta por 203 pessoas de diferentes cidades do estado do Ceará, com média de idade de 22,2 anos (dp = 6,7), sendo em sua maioria mulheres (58,7%). A segunda amostra, considerada grupo critério, foi composta de 47 presos que estavam cumprindo pena em regime fechado em Unidades Penais do estado do Ceará, sendo todos do sexo masculino, com idade média de 30,7 anos (dp = 8,49). Estes responderam além do conjunto de 55 itens que compõem a versão preliminar da escala, a perguntas de caráter sócio demográfico. Os resultados deste estudo apontaram a adequação psicométrica da estrutura bifatorial da medida. Tendo o Fator Antissociais Leves agregado 21 itens, apresentando alfa de Cronbach de 0,87 e cargas fatoriais entre |0,60| e |0,45|; enquanto o Fator Antissociais Severos ficou composto por 15 itens, obtendo valores de alfa de 0,88 e cargas fatoriais entre |0,87| e |0,47|. Tais componentes demonstraram-se significativamente correlacionados (r = 0,34; p < 0,001), explicando, em conjunto, 32% da variância. Por fim, no Estudo 3, para dirimir possíveis dúvidas acerca da solução fatorial encontrada, foram realizadas análises fatoriais confirmatórias por meio da técnica de parcela de itens e, adicionalmente, apresentadas novas evidências de validade da medida. Para tanto, a semelhança do que ocorreu no Estudo 2, contou-se com duas amostras específicas, perfazendo um total de 250 participantes. Para a composição da primeira amostra, contou-se com 200 participantes de diversas cidades do estado do Ceará, com idade média de 23,3 anos (dp = 8,5), sendo em sua maioria do sexo feminino (56,9%). Já a segunda amostra foi composta por 50 presos que estavam cumprindo pena em regime fechado em Unidades Penais do estado do Ceará, sendo todos do sexo masculino, com idade média de 30,4 anos (dp = 8,29). Estes responderam, além da versão final da Escala de Comportamentos Antissociais (ECA), ao Questionário de Comportamentos Antissociais e Delitivos (CAD), a Escala de Autocontrole (EA) e a perguntas demográficas. Com base nos resultados desse estudo, foi possível comprovar a adequabilidade da estrutura bifatorial da ECA, tendo esta apresentado índices satisfatórios de bondade de ajuste: χ2/gl = = 2,87; GFI = 0,911; CFI = 0,925; AGFI = 0,866; RMSEA = 0,087; bem como a presença de valores satisfatórios de confiabilidade composta para o fator Antissociais Severos (0,89) e Antissociais Leves (0,84). Com base nestes achados, confia-se que os objetivos propostos nesta dissertação tenham sido alcançados, apresentando-se nesta oportunidade uma contribuição para o campo da mensuração dos comportamentos antissociais.

  • JOAO SILVEIRA MUNIZ NETO
  • Em defesa da sociedade: práticas de tutela à menoridade na Fortaleza Belle Époque

  • Data: 27/02/2014
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  • Esta pesquisa versa sobre a tutela direcionada à menoridade na Fortaleza da Belle Époque (últimas décadas do séc. XIX e primeiras do XX). A partir da perspectiva genealógica de Michel Foucault (1926-1984), são problematizadas as práticas discursivas e não-discursivas que permitiram a emergência de discursos em prol do amparo à infância pobre nesta cidade. No período, um sem-número de discursos (provindos do setor jurídico, médico, pedagógico, das áreas “psi”, entre outros) que se arrogavam o título de “científicos” balizavam e produziam uma íntima associação entre pobreza e periculosidade. A iminência do perigo contida na herança atávica das camadas populares reverberava-se no trato à infância pobre. Em uma Fortaleza em processo de modernização e instalação do liberalismo econômico, a infância pobre – concebida a partir da dimensão do futuro – representou um entrave ao progresso, pois era forjada como o anti-modelo do cidadão moderno: sem recursos, analfabeto, desconhecedor dos ideais assépticos da higiene, incapaz de erguer a nacionalidade acaso não receba assistência. A partir de então, a tutela à menoridade torna-se uma das estratégias da governamentalidade biopolítica para a garantia da modernização da urbe. Como escopo de análise, utiliza-se o discurso oficial (Mensagens de Presidentes da Província e do Estado do Ceará remetidas à Assembleia Legislativa), mídia impressa (jornais de época: Correio do Ceará; Jornal do Ceará; O Nordeste) e discurso acadêmico (teses de doutorado da Faculdade de Direito do Ceará entre as décadas de 1920 e 1930). Para o acesso a tais fontes, foram realizadas visitas a alguns estabelecimentos de pesquisa, tais como o Instituto Antropológico, Histórico e Geográfico do Ceará, o Arquivo Público do Estado do Ceará e a Biblioteca Pública Menezes Pimentel, todos localizados na cidade de Fortaleza. A partir da análise das fontes, percebeu-se que houve dois grandes deslocamentos na tutela ao segmento infanto-juvenil no espaço-tempo pesquisado: 1. O deslocamento do paradigma caritativo-religioso para o paradigma filantrópico-higiênico nas ações de governamentalidade à população pobre em geral; 2. O segundo deslocamento é, antes, um alargamento das estratégias de governo que recaem sobre o “sujeito da assistência infantil”: se antes da seca de 1877-79 a criança que estava apta a receber auxílio da beneficência era a infância órfã (concebida como “coitadinha” e desvalida), na virada dos séculos XIX e XX a infância que requer governamento sobre si em Fortaleza é a infância pobre – que passa a ser tomada como potencialmente delinquente – grupo maior que abarca aquele. O evento secas, aliás, com sua periodicidade frequente e suas consequências fatais e catastróficas para o território e a economia cearenses, também têm importância capital dentro das estratégias de governo da infância pensadas nesta cidade que se queria moderna no entre-séculos XIX e XX.

  • DIVA RODRIGUES DALTRO BARRETO
  • Luta por invisibilidade ou reconhecimento? um estudo sobre a história de vida de acompanhantes de luxo

  • Data: 20/02/2014
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  • O objetivo dessa dissertação de mestrado foi realizar um estudo sobre a história de vida de duas acompanhantes de luxo, mulheres que encontraram no mercado do sexo o meio para ganharem dinheiro e assim administrar suas vidas. Para isso, analisamos as narrativas de história de vida de duas acompanhantes, Mara (nome fictício) e Letícia (nome de batismo), buscando a partir de suas narrativas, entender como foram suas vidas, quais os percalços que passaram até tornarem-se quem são nesse momento, como aconteceu o conflituoso processo de (re)construção de suas identidades, quais os personagens que representaram e representam em suas vidas, quais metamorfoses suas identidades sofreram. Atrelada a essa investigação, buscou-se, a partir do referencial teórico de autores que discutem e dialogam com a proposta de uma Psicologia Social Crítica, analisar criticamente as histórias por elas contadas. Entre os principais autores utilizados destacam-se Ciampa (1987), com sua teoria da identidade-metamorfose, atualizada recentemente por Lima (2010); Honneth (2011, 2003), e sua discussão sobre Invisibilidade e Reconhecimento e Becker (2008). Nas análises das entrevistas ficou evidente que, embora ocupando um espaço social diferenciado frente as demais profissionais do sexo, essas mulheres ainda sofrem preconceito e estigmatização social por representarem a personagem acompanhante de luxo. Do mesmo modo, evidenciamos as diferentes representações dessa personagem para Mara e Letícia, a primeira vivendo a acompanhante de luxo de uma forma invisível, negociando esta com suas outras personagens e gerenciando sua vida  na base do segredo, a segunda, por outro lado, representa a personagem acompanhante de luxo de uma forma explícita, de modo a articulá-la com suas outras personagens e lutar por reconhecimento de sua profissão. Letícia busca o reconhecimento da sua identidade e luta pelo direito de ser reconhecida dignamente como uma mulher trabalhadora, autônoma, que tem o direito de utilizar seu corpo da forma como bem quiser. As narrativas de história de vida de Mara e Letícia evidenciaram, além das dificuldades e alegrias de suas atuações enquanto acompanhantes de luxo, uma mundo que embora seja muito lucrativo e mobilize mulheres, mercado de moda, gastronomia, viagens, cirurgias plásticas etc., ainda é pouco (re)conhecida na esfera pública. Do mesmo modo, as narrativas ensinam que embora possamos representar determinadas personagens que garantem nosso acesso a bens de consumo e estabilidade financeira isso não significa que desejemos o reconhecimento dessa representação e a integremos a nossa identidade.

  • JULIANA VIEIRA SAMPAIO
  • Viajando entre sereias: saúde de transexuais e travestis na cidade de Fortaleza

  • Data: 10/02/2014
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  • O objetivo deste estudo foi investigar na cidade de Fortaleza as práticas que travestis e transexuais utilizam para produzir saúde e como elas se relacionam com os saberes institucionalizados nesse campo. A saúde no Brasil é dever do Estado e direito fundamental da população brasileira desde 1990, com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de ser um direito universal algumas pesquisas assinalam um processo de exclusão da população trans dos serviços de saúde por esta sofrer preconceito nestes espaços. Iniciamos nossa pesquisa realizando visitas exploratórias a equipamentos de saúde indicados como referência no atendimento de travestis e transexuais na cidade de Fortaleza, esse processo foi registrado em diário de campo. Observamos que a norma sexual heteronormativa e baseada no binarismo de gênero é o que geralmente organiza as ações do serviço público de saúde quando o foco é essa população. Há uma repatoligização das sexualidades não heterossexuais quando os serviços voltados para DST/aids e envolvidos no processo transexualizador tornam-se os principais espaços institucionalizados para a saúde das trans. Após as visitas exploratórias iniciais começamos a dialogar com travestis e transexuais por entendermos que a saúde não pode ser reduzida a um problema simples de gestão do Estado, uma vez que a saúde perpassa todos os espaços e relações. Ela não depende simplesmente do direito e de políticas públicas, travestis e transexuais produzem saúde e doença a partir das suas relações cotidianas, negociando não só com os equipamentos oficiais do Estado, mas também construindo de modo singular de compreender a saúde. Utilizamos como método de pesquisa entrevistas semiestruturadas com quatro travestis e transexuais e o recurso das conversas no cotidiano. Esse material foi analisado a partir da noção de práticas discursiva, proposto por Foucault, que são um conjunto de regras anônimas e localizadas no tempo e espaço que produzem condições de exercício da função enunciativa. A partir dos relatos das trans observamos como elas negociam com os espaços institucionalizados de saúde e quais as práticas são indicadas como produtoras de saúde por essa população. A falta de respeito ao uso do nome social foi uma das principais queixas das trans sobre o atendimento nos equipamentos de saúde, elas passam a utilizar como alternativa ou o atendimento em clínicas particulares ou os serviços de emergência. Observamos que a produção de saúde das trans, geralmente, está associada à construção de um corpo belo e feminino e para isso são utilizadas diversas tecnologias, que muitas vezes são apontadas pelo discurso oficial da saúde, como produtores de doenças, como o uso de silicone industrial e a automedicação de hormônios. Concluímos que a principal demanda de saúde de travestis e transexuais, a construção de um corpo belo e feminino, se afasta do modo como o Estado tem atuado para assistir essa população. Tal distanciamento é produzido entre outras questões pela adoção do Estado de uma noção heteronormativa e binária de sexo e gênero para construir suas ações, que finda por excluir os corpos que escapam e subvertem a norma sexual.

2013
Descrição
  • REBECA DE SOUZA ESCUDEIRO
  • O lugar do analista na psicanálise com crianças: contribuições de Maud Mannoni
  • Data: 21/11/2013
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  • Esta pesquisa busca através das contribuições da psicanalista Maud Mannoni refletir acerca do lugar do analista na clínica com crianças. Para tanto, abordamos algumas obras que acompanham a trajetória desta autora que privilegia a escuta do sujeito e de sua palavra, propondo questões que indicam uma direção ética no atendimento clínico com crianças. Optamos, metodologicamente, por seguir uma estrutura de capítulos desenvolvidos a partir de rupturas que encontramos presentes na obra de Maud Mannoni e que funcionaram como chave de leitura para apreendermos suas contribuições. Conformaram-se, assim, diante da leitura de seus trabalhos, três eixos temáticos que se configuram importantes para se pensar o lugar do analista na clínica com crianças, quais sejam: as críticas empreendidas por esta psicanalista às demandas pedagogizantes da prática analítica com crianças, as polêmicas nas quais se inseriu em relação às instituições psiquiátricas em seu caráter de isolamento diante da loucura e, por fim, os questionamentos às concepções de formação do analista de sua época, face ao formalismo burocrático, as distorções teóricas e os excessos de teorização. Encontramos no conjunto da obra de Maud Mannoni uma compreensão que eleva a experiência clínica e a escuta do sujeito à condição primordial necessária à prática do psicanalista e, assim, ao trabalho clínico com crianças.
  • LORENA MARIA FIDELIS FERREIRA
  • Modos de subjetivação dos "meninos do projeto": cartografando discursos

  • Orientador : LUCIANA LOBO MIRANDA
  • Data: 30/09/2013
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  • Este estudo objetivou investigar e problematizar os modos como adolescentes pobres são subjetivados pela teia discursiva e não discursiva que circunscreve o cotidiano de uma organização não-governamental (ONG). Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa-intervenção, fundamentada teoricamente nos conceitos de sujeito, relações de poder-saber e discurso elaborados por Michel Foucault e estudiosos que dialogam com suas teorizações. No processo de construção coletiva do conhecimento, utilizou-se como proposta metodológica a cartografia. Assim, a pesquisa se orientou através de pistas investigativas que auxiliaram na problematização dos discursos da instituição em estudo e os efeitos dos mesmos nos modos de ser, pensar e agir dos “meninos do Projeto”. Estes constituíram um grupo de pesquisa formado por quinze (15) adolescentes, na faixa etária entre catorze (14) e dezesseis (16) anos, que participam de atividades educativas e culturais desenvolvidas por um projeto social de uma ONG, localizada no bairro Pirambu, periferia de Fortaleza/CE. Optou-se por uma análise de discurso foucaultiana a partir da noção de dispersão do sujeito e seus posicionamentos nos discursos. Como síntese das análises, foi observado que, nos discursos institucionais, o adolescente pobre adquire a posição de sujeito normalizado, disciplinado, assujeitado ao culto do empreendedorismo, expressado pela ideia do protagonismo, a ser inserido no mercado de trabalho com o intuito de prevenir a criminalidade. Discursos aos quais os jovens resistiram através de críticas e denúncias quanto à negação de seus modos de ser e estar fora da ONG.

  • LUCIANA QUEIROZ FONTENELE
  • Eu adolescente, e o outro, diferente? uma análise das produções discursivas de alunos de uma escola particular de Fortaleza

  • Data: 20/09/2013
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  • Este trabalho teve como objetivo analisar e problematizar como os adolescentes favorecidos socialmente são subjetivados e constroem discursivamente significados sobre ser adolescente na contemporaneidade. Tomando como referência a articulação entre discurso e modos de subjetivação em Foucault, buscou-se, por meio de pesquisa–intervenção, problematizar a constituição dos sujeitos adolescentes a partir de como se posicionam no interior dos discursos (aceitação–resistência–negociação) que enredam a(s) adolescência(s) no contexto atual. Levaram-se em consideração as transformações contemporâneas, tais como a expansão da tecnificação e do consumo em massa e a pouca circulação na cidade, aspectos que restringem o contato do adolescente socialmente favorecido com os adolescentes de classes populares, bem como os vários discursos sobre adolescência a partir de um lugar de saber e poder. Ou seja, as práticas discursivas e não discursivas, segundo Foucault, que estão na base da constituição dos sujeitos. O locus da pesquisa foi uma escola particular de Fortaleza e a ferramenta teórico-metodológica foi o grupo de discussão, composto por quinze adolescentes entre 13 e 15 anos, que produziu um vídeo intitulado Conhecendo as Adolescências. A análise dos discursos produzidos e veiculados no grupo teve como base os estudos de Foucault. Nessa análise, foi possível perceber que as versões que os adolescentes constroem, sobre si e sobre o outro adolescente, são atravessadas por discursos dos campos psicológico, biológico, sociológico, midiático, jurídico e, sobretudo, por sua experiência, no que ela também é enredada por tais discursos. Embora não identifiquem quais desses campos estão na base de suas próprias construções discursivas, mostram influência daqueles que constroem diferentes significados sobre adolescência, tomando como critério sua condição socioeconômica. A abertura para as mudanças e negociações em seus posicionamentos, engendrada no grupo de discussão, promoveu deslocamentos discursivos, ampliando as possibilidades de constituição subjetiva para estes adolescentes mais favorecidos socialmente.

  • DAVID PAIVA MARTINS
  • Cooperativas de material reciclável no interior do Estado do Ceará e o fenômeno da precarização do trabalho

  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 29/08/2013
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  • O trabalho atualmente encontra-se flexibilizado e precarizado, consequência direta de um movimento antagônico ao Fordismo. A flexibilização do trabalho carrega consigo o desmantelamento dos direitos trabalhistas e o avanço do trabalho nas esferas particulares do trabalhador. Dessa forma, a precarização do trabalho deriva diretamente desse movimento de flexibilidade trabalhista. O surgimento das cooperativas no século XIX abre novas possibilidades para se pensar o capital e o trabalho propriamente ditos, porém, seus ideais de cooperação mutua e autogestão, propiciam o aparecimento de falsas cooperativas, difundindo vários modelos de trabalho fora do signo do cooperativismo. A catação de materiais recicláveis, realizada basicamente nas cooperativas, angaria aqueles trabalhadores sem perspectiva de retorno ao mercado formal de trabalho, ao mesmo tempo que lhes oferece um trabalho precarizado com poucas ou nulas possibilidades de mudança. Dessa forma o presente estudo, que fez parte da pesquisa para obtenção do título de Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará – UFC dedicou-se a analisar a precarização do trabalho e das relações trabalhistas presentes em uma cooperativa de material reciclável, localizada em Icó, Ceará. Para tanto, foram entrevistados 05 indivíduos diretamente ligados à atividade de catação, tendo como base uma abordagem qualitativa. A partir das entrevistas, foram elencadas e analisadas, de acordo com a Sociohermenêutica de Alonso, categorias comuns e presentes em todos os discursos. Considerou-se que o trabalho precarizado realizado pelos catadores apropria-se não somente da atividade física, mas também da subjetividade dos catadores, dificultando uma reflexão mais profunda a cerca de sua condição precarizada e inibindo uma reconquista dos direitos trabalhistas e do tempo particular exigido pelo trabalho precarizado.

  • JOÃO PAULO LOPES COELHO
  • Estudo sobre a dinâmica de organização do "si mesmo" de adolescentes do sexo feminino em conflito com a lei

  • Orientador : VERIANA DE FATIMA RODRIGUES COLACO
  • Data: 27/08/2013
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  • Este trabalho se constitui como um estudo sobre a dinâmica de organização do self de jovens do sexo feminino em cumprimento de medida socioeducativa de privação de liberdade. O foco desta investigação esteve voltado para os impactos da cultura de estigmatização e do cotidiano de violência (ainda, fortemente, presentes nos centros educacionais) sobre os processos de subjetivação das jovens submetidas a esse tipo de medida. Objetiva-se analisar a maneira como as jovens do Centro Educacional Aldaci Barbosa Mota organizam um senso de “si mesmas” em meio às circunscrições estruturantes dos modos de interações discursiva característicos da única unidade, exclusivamente, feminina do Estado do Ceará. O texto dessa dissertação se divide em três blocos de análise, que fazem referência a elementos essenciais para uma abordagem histórico-cultural do self: a) os instrumentos-signos, propondo um mapeamento dos discursos e práticas institucionais da unidade; b) a interação discursiva “sobre si”, analisando o modo como as jovens se utilizam das ferramentas culturais ao falarem sobre si; c) o processo organizativo do self , lançando luz sobre os processos intramentais de negociação entre posicionamentos e “vozes” pessoais e coletivas que circunscrevem o desenvolvimento do senso “si mesmo” dessas jovens. O corpus da pesquisa foi composto por diário de campo construído a partir de Observação Participante e de videogravações de atividades propostas em Oficina Temática. Os critérios de participação da oficina foram: aceitação livre do convite; estarem sentenciadas a medida socioeducativa; terem o rótulo de “indisciplinadas”, tendo participado oito socioeducandas. O material produzido durante a oficina foi submetido a abordagem microgenética de análise. Como principais resultados, destacam-se que: os modelos de atendimento repressor-correcional e pedagógico-corretivo apontam para uma realidade socioeducativa em que atos de violência e práticas disciplinares se conjugam numa lógica corretiva que legitima o cotidiano violador de direitos de adolescentes; a violência e a estigmatização características dessa unidade assumem especificidades ligadas à questão do gênero feminino; a redução da diversidade de significações em ordenamentos morais evidenciados nas formas de falar sobre o “si mesmo” de maneira, marcadamente, conformadoras. Conclui-se que o atendimento de cunho correcional atua sobre a reificação do “si mesmo”, ao invés de facilitar a construção de significados e sentidos que possam, realmente, auxiliar as socioeducandas numa perspectiva de reconstrução de si.

  • JULIO CLEDSON DE OLIVEIRA GUEDES
  • Mediação de conflitos e o julgamento moral de ações: qual o tipo de parcerias em escolas?

  • Data: 26/08/2013
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  • O conflito é um fenômeno natural dentro da sociedade. A busca para soluções pacíficas para esses conflitos naturais está na base do sistema judiciário de toda sociedade que busca cultivar determinados valores sociais. A medida que a sociedade cultiva os valores que favorecem a boa convivência do coletivo, os conflitos que surgem passam a serem vistos como uma ameaça a esses valores de convivência social. Por isso há interesse que esses conflitos naturais sejam resolvidos de forma mais ordeira possível para manter os valores sociais e morais que promovem essa boa convivência. O fenômeno da violência dentro da escola vem crescendo nos últimos anos, preocupando os gestores escolares dos grandes centros urbanos que procuram saídas e formas de lidar com esse fenômeno social. Assim surge a mediação dos conflitos escolares é uma técnica trazida do sistema judiciário para dentro das escolas com a intenção de trazer novos ares a escola e com a promessa de amenizar o fenômeno da violência dentro da escola e que venha a trazer essa boa convivência para dentro da escola. A mediação de conflitos tem como princípio os acordos e os diálogos entre os professores e alunos e entre alunos que se desentendem dentro do ambiente escolar. Na formação dessa equipe de mediadores dentro da escola são escolhidos alunos que são considerados pelos gestores da escola como alunos que causam transtornos ao ambiente de sala de aula. Esses alunos são trazidos para equipe de mediadores para promoverem a resolução de conflitos dentro da escola. Uma das estratégias para conseguir conter o crescente avanço do fenômeno da violência na escola. O presente trabalho se interessou em perceber como a técnica de mediação de conflitos escolares repercute no desenvolvimento do julgamento moral dos alunos envolvidos na mediação de conflitos escolares dentro da perspectiva piagetiana e kohlbergiana. Na metodologia foi utilizado o método clínico piagetiano utilizando entrevistas com dilemas. Dois grupos de alunos foram utilizados na pesquisa: um grupo de alunos mediadores e em outro grupo de alunos não mediadores da mesma escola que serviu de campo de pesquisa. Fazendo um comparativo das respostas dadas por cada grupo de alunos para podermos analisar dentro da perspectiva de Piaget e de Kohlberg. Os dados da pesquisa mostram uma forte heteronomia ainda presente nos alunos dos dois grupos pesquisados. E assim propiciando uma reflexão sobre as técnicas de mediações de conflitos escolares e seu papel na construção de uma autonomia piagetiana e de uma “comunidade justa” de Kohlberg.

  • FRANCISCA TALITTA MUNIZ SABOYA
  • Um estudo sobre competências, contexto de trabalho e desempenho em uma organização social

  • Data: 08/08/2013
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  • A presente dissertação apresenta uma análise das relações entre competências, contexto de trabalho e desempenho individual, trazendo o campo das organizações sociais como espaço de discussão, reflexão e compreensão destas temáticas. A relação entre os fatores nomeados foi averiguada a partir da percepção dos sujeitos da pesquisa. O objetivo principal deste estudo foi caracterizar as dimensões do contexto e as competências funcionais do grupo estudado, relacionando-as com o desempenho no trabalho, por meio de uma pesquisa de campo, de caráter descritivo em seus objetivos e de abordagem quantitativo-qualitativa para a coleta e tratamento dos dados. A amostra de pesquisados foi composta por agentes de recrutamento e seleção da unidade de atendimento Centro do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho, organização social que desenvolve políticas públicas de trabalho e renda no estado do Ceará. Foram utilizados como instrumentais quantitativos, uma escala de avaliação do contexto de trabalho, que auxiliou no diagnóstico do contexto específico e um questionário para a identificação de competências para o levantamento das competências funcionais para o trabalho. Essas informações foram tratadas mediante estatística descrita simples, através de Excel e do software R. Posteriormente, foi realizada uma entrevista coletiva (grupo focal) que permitiu explorar aspectos referentes às competências e ao contexto, observando suas relações e impactos para o desempenho individual, utilizando-se da análise de conteúdo de Bardin (1977) para sua interpretação. A observação direta sistemática também foi usada para auxiliar na compreensão da dinâmica citada e das informações em geral sobre a organização e as práticas de trabalho do seu setor considerado para a pesquisa. Com base nos achados quantitativos, foram delimitadas 11 competências funcionais e as dimensões do contexto apresentaram resultado crítico (organização do trabalho) e satisfatório (condições de trabalho e relações socioprofissionais). As informações qualitativas apontaram aspectos que impactam na expressão e desenvolvimento das competências, sua relevância para execução das tarefas diárias, o impacto social dos resultados do trabalho e a falta de reconhecimento do desempenho bem como o suporte da instituição em superar as dificuldades apresentadas no contexto vivenciado. Conclui-se que o contexto de trabalho investigado apresenta características que impactam negativamente na mobilização e expressão das competências identificadas como relevantes ao grupo e, consequentemente, sobre seu desempenho. O objetivo central da pesquisa de relacionar os temas competências, contexto e desempenho, a partir da análise de uma determinada situação organizacional foi, portanto, alcançado. Ademais, os achados contribuem para aumentar o nível conceitual do campo investigado, bem como sua análise a partir de novas relações entre as temáticas abordadas, o que pode dar suporte a novos estudos na área.

  • ERICA VILA REAL MONTEFUSCO
  • A negação do envelhecimento e a manutenção da juventude veiculados em revistas femininas: um estudo de Psicologia Social

  • Data: 23/07/2013
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  • No presente trabalho, buscou-se investigar questões relativas à manutenção da aparência jovem e verificar como elas são divulgadas em mídias direcionadas ao público feminino. Nossa proposta de pesquisa ancorou-se na análise de reportagens e de peças publicitárias, pesquisadas durante o ano de 2011 em três revistas femininas de grande circulação nacional: Claudia, Boa Forma e Plástica e Beleza. O estudo dos enunciados teve como base a Teoria Crítica, cujos principais expoentes são Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Walter Benjamin e Jürgen Habermas, além deles também se baseou na análise semiótica de José Luiz Aidar Prado, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O material foi organizado e discutido com base em cinco categorias de análise: “Efetividade dos resultados/resultados científicos”, “Novas tecnologias”, “Promessas que supostamente podem ser cumpridas versus possibilidades reais”, “Segmentação de mercados” e “Celebridades como modelos”. Apesar do fato de o Brasil ser um país em processo de envelhecimento, percebe-se uma resistência, especialmente por parte das mulheres, em relação a essa fase da vida.  Em meio a uma lógica que abrange liberdade de escolha e ao mesmo tempo rigidez de padrões, percebemos como a mídia direcionada ao público feminino indica “receitas” e produtos mediante os quais as leitoras podem supostamente melhorar suas vidas, suas aparências e vivenciar o bem-estar prometido pelo mercado. Através deste estudo, acreditamos ter sido possível suscitar reflexões acerca da temática não apenas do corpo saudável, belo, feminino e jovem, mas nos questionar também acerca da visão de envelhecimento que a mídia nos fornece e como somos por ela influenciados.

  • CAMILA MOREIRA MAIA
  • Economia solidária, o novo espírito do capitalismo e o governo das subjetividades: uma análise do discurso dos trabalhadores do assentamento Coqueirinho

  • Data: 16/07/2013
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  • Este trabalho visa a compreender a forma como os discursos de trabalhadores de empreendimentos coletivos solidários ajudam a reproduzir a ordem social característica do último capitalismo (a partir de 1970). Segundo a Nova Sociologia do Capitalismo, cada versão do modelo de produção capitalista tem sido acompanhado por uma ideologia que o justifica. Essa ideologia, denominada de “espírito do capitalismo”, transforma-se ao sabor das críticas que lhe são empreendidas. Um novo espírito surge, então, como o resultado da articulação entre espírito anterior e crítica que é, atendida, apenas, parcialmente, perdendo seu poder de reivindicação. O novo espírito do capitalismo surge em respostas às críticas das décadas de 1960 e fundamenta-se pelo funcionamento em redes, pela flexibilidade e pelo incentivo à autonomização dos sujeitos. Sob a perspectiva da Análise Crítica do Discurso, o novo espírito do capitalismo trata-se de uma ordem de discurso que, ao mesmo tempo em que constrange o discurso de atores sociais, é constrangida por eles. Essa ordem de discurso, então, pode ser incorporada ao discurso dos sujeitos em suas diversas funções, seja de representação, de inter(ação) ou de identificação e isso, é o que permite sua reprodução. A Economia Solidária tem sido adotada nos últimos governos (2002 – 2013) como estratégia de resolução da “questão social”. Considerando a íntima relação entre Estado e manutenção de ordens hegemônicas, esses incentivos do Governo Federal a empreendimentos coletivos solidários tratam-se de uma das manifestações da incorporação de elementos da crítica que favorece as reestruturações capitalistas. Nossa argumentação reside na resposta a três hipóteses de trabalho: a primeira diz respeito à correspondência entre o discurso da ES com a crítica ao segundo espírito do capitalismo, uma vez que partilham das reivindicações desenvolvidas tanto pelos movimentos operários do século XIX, como pelos movimentos sociais da década de 1960. A segunda defende a aproximação do discurso de trabalhadores de ES às ideologias que tem justificado o novo espírito do capitalismo e a terceira consiste no entendimento da ES como uma estratégia de governo das subjetividades, uma vez que engendram um sentimento de empoderamento no trabalhador solidário que cessa sua motivação para a crítica. Realizamos uma aproximação etnográfica a uma associação de agricultores assentados do interior do Estado do Ceará que funciona nos moldes da Economia Solidária. O corpus de pesquisa foi obtido através de diários de campo, construídos a partir de observação participante e de entrevistas individuais, e analisados à luz da Análise de Discurso Crítica. Concluiu-se que: o Estado se compromete ambiguamente com a superação da pobreza e do desemprego e com formas neoliberais de gestão que são, elas próprias, geradoras de desigualdade; a relação entre o trabalhador solidário e o Estado é contraditória, pois, ao mesmo tempo em que aquele desenvolve atividades produtivas que visam à autonomia em relação a este, seu discurso aponta para a dependência dos incentivos concedidos pelo mesmo; por fim, há uma incoerência entre a condição precária do trabalhador e o seu sentimento de autonomia, liberdade e segurança.

  • BÁRBARA BARBOSA NEPOMUCENO
  • Pobreza e saúde mental: uma análise psicossocial a partir da perspectiva dos usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)

  • Data: 11/07/2013
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  • O presente estudo se dedica a analisar a relação entre dois fenômenos complexos, pobreza e saúde mental. Considerando que a maioria dos usuários das políticas públicas de saúde mental advém de contextos sociais marcados pela baixa escolaridade, más condições de moradia, desemprego e baixa renda, a referente pesquisa faz-se relevante. A pobreza é um fenômeno multidimensional, que não se restringe à esfera da privação material, alcançando dimensões psicossociais, repercutindo na produção de subjetividades e de modos singulares de vida. A saúde mental, por sua vez, é um fenômeno complexo e multideterminado, que sofre influências de ordem biológicas, psicológicas, sociais, culturais, econômicas e morais, sendo necessário, portanto, na compreensão do processo saúde-doença considerar o contexto sociocultural e econômico em que este transcorre e sua vivência singular. Diante disto, é objetivo geral do estudo analisar as implicações dos aspectos psicossociais da pobreza no processo saúde-doença mental de usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Os objetivos específicos são: identificar aspectos psicossociais da pobreza na vida de usuários do CAPS; analisar o processo saúde-doença mental de usuários pobres do CAPS; e compreender a relação entre pobreza e o processo saúde-doença mental. A pesquisa é de natureza qualitativa, desenvolvida junto a cinco usuários do CAPS Comunitário do Bom Jardim. Como instrumentos de construção e análise dos dados foram utilizados Questionário Multidimensional da Pobreza e Entrevista Individual. Para análise de dados foi realizado a Análise de Conteúdo, realizada com o auxílio do software ATLAS.ti 5.2. Como resultados percebe-se que há uma relação de circularidade entre pobreza e sofrimento psíquico. São frequentes na vivência da pobreza sentimentos de opressão, culpa, vergonha, humilhação e incerteza frente ao futuro, estresse continuado, sofrimento ético-político, entre outras implicações produtoras de sofrimento psíquico. Por outro lado, o não acesso a um cuidado em saúde efetivo pode contribuir à cronificação da doença e uma consequente limitação na capacidade de auferir renda do sujeito. A espiritualidade e a rede apoio social são potentes ao enfrentamento da pobreza e trazem impactos positivos na proteção e recuperação da saúde do sujeito.

  • RONALDO RODRIGUES PIRES
  • Implicações dos sentidos atribuídos pelos psicólogos ao uso de álcool e outras drogas no tratamento de usuários em CAPS ad e Comunidades Terapêuticas

  • Data: 04/07/2013
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  • A atenção aos problemas decorrentes do uso e dependência de drogas tem sido um desafio atual para a saúde pública brasileira. Uma das barreiras para a assistência competente e humanizada destes usuários no Sistema Único de Saúde – SUS tem sido evidenciada através de estudos que apontam os usuários de álcool e outras drogas, como sendo alvo de estigmatização e posturas preconceituosas no interior dos serviços de saúde. O despreparo com relação a formação para este tipo de atenção é outra barreira a ser superada. Buscou-se problematizar o papel do psicólogo, enquanto trabalhador imbricado nestas instituições de saúde, visto que este profissional tem estado em número cada vez maior entre os componentes das equipes multiprofissionais de estabelecimentos de saúde. A relevância desta pesquisa consiste em contribuir com uma reflexão sobre a inserção do psicólogo nas políticas públicas de assistência à saúde aos usuários de álcool e outras drogas buscando trazer elementos que contribuam para o aprimoramento da profissão. O objetivo desta pesquisa consistiu em compreender a relação existente entre os sentidos atribuídos por psicólogos ao uso de álcool e outras drogas e suas implicações no tratamento de usuários dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS ad e nas Comunidades Terapêuticas. Realizou-se então uma pesquisa de natureza qualitativa utilizando de entrevistas com três psicólogos destas instituições. As entrevistas foram analisadas com base na técnica de Análise de Conteúdo e tiveram o auxílio do software Atlas – Ti 5.2 na elaboração dos resultados. Com base nas entrevistas dos psicólogos entrevistados, percebeu-se que as substâncias são vistas por eles como tendo propriedades essencialmente negativas que teriam a capacidade de submeter os sujeitos a um estado de enfermidade e dependência. Além disso, os sentidos atribuídos ao uso de drogas como algo negativo implicam em divergências ideológicas quanto à questão da Redução de Danos, enquanto política de cuidado visto esta ser compreendida pelos psicólogos como uma estratégia de redução do uso de substâncias. A maior implicação destes sentidos se dá no campo das práticas onde se percebe que a maior parte das atividades tem como objetivo oferecer estratégias para a redução do uso de substâncias, não sendo incluídas intervenções nos complexos contextos que envolvem o processo da dependência de drogas. Percebeu-se que mesmo reconhecendo a estigmatização do usuário, as intervenções para a redução deste estigma carecem de serem mais efetivadas. A maioria das práticas realizadas pelos psicólogos são atendimentos individuais e grupais que indicam o viés predominantemente clínico de sua formação. É preciso que o objetivo destas práticas tornem-se cada vez mais amplos a fim de intervirem nos complexos contextos que envolvem a saúde dos dependentes de drogas.

  • DANIELLE REBOUÇAS SÁ
  • Autoajuda, trabalho e novas subjetividades em tempos de incerteza: análise do discurso de O monge e o executivo e Seja líder de si mesmo

  • Data: 17/06/2013
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  • A sociedade contemporânea é marcada por grandes e constantes mudanças. Vivemos num mundo veloz, fluido e dinâmico, onde as certezas herdadas da tradição e da primeira modernidade dão lugar às incertezas, aos riscos e à imprevisibilidade. São mudanças socioeconômicas, tecnológicas e culturais que implicam novas formas de o indivíduo pensar, sentir, agir, viver. Tais mudanças ocorrem de modo singular na vida laboral, acompanhando as transformações no modo de produção capitalista.  O novo estágio do capitalismo pós-industrial produz novas ideologias e ordens de discurso que interpelam fortemente as subjetividades. Essas ideologias e ordens de discurso são materializadas e disseminadas em manuais de autoajuda e outros gêneros híbridos, que tendem a favorecer certas representações do trabalho, da empresa e do trabalhador, e também a inculcar certos modos de ser e agir dentro e fora do âmbito laboral. Esta pesquisa investigou como esse tipo de literatura fornece recursos que pretendem habilitar o sujeito a lidar com a nova configuração do trabalho hoje e também com os dilemas existenciais decorrentes desse novo cenário. Assumindo aqui a linguagem como prática social, nosso objetivo geral foi investigar como os livros autoajuda estão relacionados com o sentimento de incerteza que marcam a experiência contemporânea do trabalho e de outras esferas da vida. Para tanto utilizamos o enfoque da Análise de Discurso Crítica (ADC) com o intuito de identificar os principais investimentos ideológicos do discurso de autoajuda, tal como se apresentam em dois livros do gênero: O monge e o executivo, de James Hunter (2004) e Seja líder de si mesmo, de Augusto Cury (2004). A análise revelou que as obras estudadas tendem a disseminar certas representações de problemas atuais (por exemplo, o trabalho precário e instável, as dificuldades da liderança) como problemas de natureza pessoal e subjetiva, da exclusiva alçada do indivíduo. Ambas deslocam as questões e problemas sociais para a esfera da interioridade, propondo teorias sobre o funcionamento da mente e técnicas de intervenção para o desenvolvimento pessoal e para a mudança de comportamentos e hábitos. Ao representarem esses problemas como questões da interioridade e das relações interpessoais, as obras tendem a responsabilizar a pessoa pela solução de tais problemas e pela busca e alcance de seu sucesso e felicidade.  Afim a uma sociedade de consumo despolitizada e frágil na crítica ao sistema e às macroestruturas sociais e econômicas, o discurso da autoajuda dirige sua “crítica” ao indivíduo. Este se vê obrigado a voltar-se para si mesmo e intervir em suas próprias atitudes, sentimentos e condutas para gerar mudança e alcançar êxito. O discurso da autoajuda, nesse contexto, atende às novas demandas e exigências da ordem capitalista vigente: de pessoas empenhadas no constante autoexame e auto-regulação e dispostas a se reorganizarem diante da incerteza e do risco que fazem parte de sua vida. Os manuais de autoajuda contribuem para a constituição de novas subjetividades e para a inculcação do “novo espírito do capitalismo”, com novos modos de ser, agir e interagir que se adequam às novas realidades laborais e à ordem capitalista em vigor.

  • FRANCISCA HELENA GADELHA DE LIMA
  • O psicólogo no ambiente do hospital e a afetividade: uma construção de sentidos sobre a morte

  • Data: 13/06/2013
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  • A morte está presente no contexto hospitalar desde os primórdios de sua criação com os profissionais da saúde operacionalizando no seu cotidiano de trabalho a presença da finitude como contingência inerente da prática em saúde. A investigação teve como objetivo compreender a relação do psicólogo com o ambiente hospitalar pela construção de sentidos deste quanto ao processo da morte, tendo como referência a categoria da afetividade (emoções e sentimentos). Adotou-se o referencial teórico da Psicologia Social e Ambiental com base na abordagem histórico-cultural e na afetividade como um caminho possível de atingir a complexidade dos fenômenos humanos. A pesquisa de campo foi realizada em quatro hospitais da rede pública estadual de Fortaleza com a participação de seis psicólogas. Os instrumentos aplicados foram os mapas afetivos e a entrevista. Os dados coletados foram submetidos a análise de conteúdo e agrupados em três categorias temáticas, a saber: morte, cuidados terapêuticos e hospital. Foram formados, por meio dos mapas afetivos, as seguintes imagens no ambiente hospitalar: contraste, sofrimento, destruição, agradabilidade e pertencimento. Procurou-se ao longo da produção textual relacionar a morte aos sentimentos e emoções das psicólogas na inter-relação com o ambiente do hospital. Os resultados apontaram para uma tendência a uma estima mais positiva do hospital pelas imagens da agradabilidade e pertencimento, muito embora a estima negativa do hospital tenha estado presente nas imagens de contraste, destruição e sofrimento com os processos de morte, demandando dor psíquica nos profissionais participantes da pesquisa, especialmente a morte da criança e do adolescente.

  • VANESSA NASCIMENTO SILVA
  • O prescrito e o real da atividade dos psicólogos organizacionais: uma análise das dramáticas do uso de si dos psicólogos de empresas de terceirização

  • Data: 12/06/2013
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  • A partir do cenário atual do mundo do trabalho, com sua competitividade globalizada e crescente precarização dos trabalhadores, essa pesquisa teve o propósito de analisar a atividade dos psicólogos organizacionais em empresas de terceirização de mão de obra relacionando-a com as características do contexto contemporâneo. Tendo a teoria da Ergologia de Yves Schwartz por base, percebeu-se que entre o prescrito do trabalho (aquilo que é solicitado por outrem que o profissional faça) e o real do trabalho ( como a atividade de trabalho realmente se dá) há uma distância universal, que faz com que o sujeito realize uma gestão o uso de si, por si e pelos outros, onde estão implicados sua subjetividade, seus valores, e os valores e normas da própria sociedade.  Esse processo de gestão ele denomina: dramáticas do uso de si. Buscou-se, então, identificar qual o prescrito da atividade do psicólogo inserido nessas empresas, bem como analisar como esses profissionais desenvolvem sua atividade na confrontação com o real que lhes é dado, ressaltando ai evidencias dos aspectos da precarização que compõem sua atividade de trabalho. Buscou-se também identificar a gestão que o sujeito faz de si por si e pelos outros, de modo a relacionar as re-normatizações que perpassam o real da atividade dos psicólogos com os valores e normas que atravessam o próprio sujeito e a sociedade de trabalho contemporânea. Identificamos que as atividades prescritas para que esses profissionais ainda são prioritariamente recrutamento e seleção de pessoal. Tais atividades são constantemente transpassadas pelas lógicas da precarização, que nos remete a alta velocidade dos processos, a cobrança pela produtividade, a busca pelo menor custo e o maior lucro, independente do compromisso com o ser humano. Notou-se que os psicólogos inseridos nas empresas pesquisadas fazem gestão do uso de si privilegiando a lógica do mercado em suas escolhas e que seus próprios valores, por vezes, são condizentes com essa lógica. Diante de tais evidências reiterou-se a necessidade de resgatar um compromisso mais crítico da ação dos psicólogos, reconhecendo como prioridade o compromisso com o ser humano onde quer que ele atue.

  • SABRINA LEITE CARDOSO DOS SANTOS JESUINO
  • Vozes de crianças em tratamento oncológico: significados e sentidos do câncer pela perspectiva vigotskiana

  • Data: 29/05/2013
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  • Esta pesquisa teve por intuito promover a escuta de significados e sentidos do câncer em crianças sob o tratamento oncológico ambulatorial, no Centro Pediátrico do Câncer de Fortaleza. Toda a investigação baseou-se na fundamentação teórica da Psicologia Histórico-cultural de Vigotski e nas fontes referentes à Psiconcologia. Diante disso, apresenta-se como interesse científico a busca pelo entendimento de como as próprias crianças acometidas pelo câncer significam e atribuem sentido à doença. Secundariamente, procura-se compreender como a família, copartícipe deste processo, influencia as crianças na transmissão do significado da doença. A pesquisa foi conduzida segundo o método qualitativo, de acordo com o qual foram priorizadas as particularidades do adoecimento de câncer para as crianças. Utilizaram-se como procedimentos de elaboração dos dados o desenho e o brinquedo, fontes importantes para a criação de um ambiente lúdico favorável à expressão das crianças. A observação participante constituiu meio valioso de contextualização dos aspectos hospitalares e das interações de crianças com todo esse universo. As entrevistas com as mães forneceram subsídios complementares, com auxílio na composição dos casos e na contextualização do próprio entendimento da expressão da criança. A análise se concentrou no estudo microgenético dos casos de duas meninas de seis anos, que se encontravam em tratamento ambulatorial. A apreciação das falas das crianças, em cada caso específico, destacou os significados e sentidos referentes ao tumor, hospitalização, cirurgia, dentre outros. Verifica-se que o pensamento dessas crianças em relação ao adoecimento se mostra fundamentalmente por complexo, fenotipicamente semelhante ao conceito propriamente dito pela qualidade e natureza psicológica. Perceberam-se, então, a instabilidade e a inconsistência dos significados apresentados pelas crianças, quando consideramos o conceito propriamente dito. Isso não expressa desvalorização do pensamento infantil e das suas experiências, pelo contrário. Com origem nos dados de entendimento da criança sobre a doença, poder-se-á, contribuir para maior adequação das comunicações com a díade mãe/paciente e maior aproximação do pensamento infantil e, consequentemente, maiores cuidados psíquicos à criança.

     

  • ELISANGELA DE CASTRO FREITAS OLIVEIRA
  • Qualidade de vida no trabalho de pessoas com deficiência

  • Data: 10/05/2013
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  • A pesquisa tem como tema a Qualidade de Vida no Trabalho – QVT de Pessoas com Deficiência – PcD. Este assunto é relevante pela reflexão que proporciona sobre as possibilidades de inserção e manutenção desses trabalhadores no mercado de trabalho, promovendo um ambiente propício ao desenvolvimento de suas habilidades pessoais e profissionais. A pesquisa tem como objetivo analisar a QVT de PcD a partir da relação dos estudos de QVT e de fatores de capacidade profissional numa instituição de ensino superior. O estudo se propõe a identificar fatores de QVT, tendo como referência o modelo teórico de Walton; identificar fatores de capacidade profissional tendo como referência o modelo IMBA – Integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho; relacionar e analisar os estudos de QVT com os fatores de capacidade profissional do modelo IMBA. A abordagem metodológica adotada foi a qualitativa, através do instrumento de entrevista. A análise dos dados foi feita através da técnica de análise de conteúdo. Os resultados referem um determinado grau de ausência de QVT, na percepção grupo pesquisado. Os fatores remuneração e condições de trabalho foram destacados como os mais valorizados. O desenvolvimento profissional, o crescimento profissional, a estabilidade na instituição e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal foram fatores indicados com valorização mediana; a integração social na instituição, os direitos na instituição e a importância da empresa na comunidade foram apresentados como os fatores que menos interferem na manutenção da QVT. Com relação aos fatores de capacidade profissional do modelo IMBA, o grupo apresentou compatibilidade parcial entre capacidade profissional e demandas do trabalho. Dos vinte e quatro fatores, apenas quatro tiveram correspondência entre demandas do trabalho e capacidade profissional, a saber: atenção no ambiente de trabalho; ser ágil no trabalho; capacidade pessoal nas decisões do trabalho e capacidade de comunicação com os clientes. Os instrumentos utilizados nesta pesquisa foram eficazes para a obtenção dos objetivos estabelecidos e contribuíram para a compreensão da temática, podendo ser úteis para aplicação em outras pesquisas e práticas na área da Psicologia Organizacional.

  • CAROLINE GONZAGA TORRES
  • Nos contornos do Eu: um estudo sobre a religiosidade nas neuroses e psicoses

  • Data: 09/05/2013
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  • Tem-se, nesta dissertação, o propósito de discutir se há, do ponto de vista da estruturação do Eu nos sujeitos, elementos pelos quais se possa discernir o que respalda a maneira como os neuróticos e psicóticos demarcam um posicionamento distinto frente às experiências de religiosidade, estabelecendo relacionamentos diferentes com a divindade. Para tanto, metodologicamente, empreende-se um estudo bibliográfico fundamentado na obra de Freud e no primeiro ensino de Lacan em suas produções referentes à religião, constituição do Eu, neurose e psicose, além da discussão de dois casos clínicos freudianos: Schreber e o Homem dos Ratos. Sendo assim, realizam-se articulações entre a religião e o complexo paterno em psicanálise, abordando os elementos traumáticos presentes na origem das religiões monoteístas e a maneira pela qual eles se atualizam nos sujeitos, além de estabelecerem-se aproximações entre as formações religiosas, as produções delirantes e a fantasia. Efetua-se um recorte sobre o modo de estruturação do Eu, nas neuroses e nas psicoses, salientando o conceito de narcisismo para o estabelecimento das dimensões imaginárias e simbólicas que participam desse processo, bem como para as modificações teóricas subseqüentes. Por fim, faz-se uma investigação sobre o modo pelo qual o Eu se constitui nas neuroses e psicoses, os mecanismos peculiares a cada uma destas estruturas e a presença do discurso religioso, assim como das figuras divinas, através da análise dos casos clínicos. Dentre os principais achados da pesquisa destaca-se: a) a inteligibilidade nas formulações freudianas sobre a religião, situando-a ora ao lado das neuroses, ora ao lado das psicoses, fornecendo a ela uma dupla lógica; b) as peculiaridades na constituição do Eu, isto é, a fixação do paranoico no estádio do espelho e o atravessamento do Édipo no obsessivo, bem como seus posicionamentos distintos frente ao Outro e o conflito das instâncias psíquicas nestas estruturas, implicam na maneira pela qual as experiências de religiosidade e as divindades aparecem nos sintomas e nas formações elementares; c) a noção de crença estrutural na neurose e a dimensão de certeza na psicose permitem a percepção das diferenças no modo como estes indivíduos compreendem as figuras divinas, que aparecerem constantemente associadas à figura paterna nas teorizações psicanalíticas.

  • DANIELLE REBOUÇAS SÁ
  • Autoajuda, trabalho e novas subjetividades em tempos de incerteza: análise do discurso de O monge e o executivo e Seja líder de si mesmo

  • Data: 07/05/2013
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  • A sociedade contemporânea é marcada por grandes e constantes mudanças. Vivemos num mundo veloz, fluido e dinâmico, onde as certezas herdadas da tradição e da primeira modernidade dão lugar às incertezas, aos riscos e à imprevisibilidade. São mudanças socioeconômicas, tecnológicas e culturais que implicam novas formas de o indivíduo pensar, sentir, agir, viver. Tais mudanças ocorrem de modo singular na vida laboral, acompanhando as transformações no modo de produção capitalista.  O novo estágio do capitalismo pós-industrial produz novas ideologias e ordens de discurso que interpelam fortemente as subjetividades. Essas ideologias e ordens de discurso são materializadas e disseminadas em manuais de autoajuda e outros gêneros híbridos, que tendem a favorecer certas representações do trabalho, da empresa e do trabalhador, e também a inculcar certos modos de ser e agir dentro e fora do âmbito laboral. Esta pesquisa investigou como esse tipo de literatura fornece recursos que pretendem habilitar o sujeito a lidar com a nova configuração do trabalho hoje e também com os dilemas existenciais decorrentes desse novo cenário. Assumindo aqui a linguagem como prática social, nosso objetivo geral foi investigar como os livros autoajuda estão relacionados com o sentimento de incerteza que marcam a experiência contemporânea do trabalho e de outras esferas da vida. Para tanto utilizamos o enfoque da Análise de Discurso Crítica (ADC) com o intuito de identificar os principais investimentos ideológicos do discurso de autoajuda, tal como se apresentam em dois livros do gênero: O monge e o executivo, de James Hunter (2004) e Seja líder de si mesmo, de Augusto Cury (2004). A análise revelou que as obras estudadas tendem a disseminar certas representações de problemas atuais (por exemplo, o trabalho precário e instável, as dificuldades da liderança) como problemas de natureza pessoal e subjetiva, da exclusiva alçada do indivíduo. Ambas deslocam as questões e problemas sociais para a esfera da interioridade, propondo teorias sobre o funcionamento da mente e técnicas de intervenção para o desenvolvimento pessoal e para a mudança de comportamentos e hábitos. Ao representarem esses problemas como questões da interioridade e das relações interpessoais, as obras tendem a responsabilizar a pessoa pela solução de tais problemas e pela busca e alcance de seu sucesso e felicidade.  Afim a uma sociedade de consumo despolitizada e frágil na crítica ao sistema e às macroestruturas sociais e econômicas, o discurso da autoajuda dirige sua “crítica” ao indivíduo. Este se vê obrigado a voltar-se para si mesmo e intervir em suas próprias atitudes, sentimentos e condutas para gerar mudança e alcançar êxito. O discurso da autoajuda, nesse contexto, atende às novas demandas e exigências da ordem capitalista vigente: de pessoas empenhadas no constante autoexame e auto-regulação e dispostas a se reorganizarem diante da incerteza e do risco que fazem parte de sua vida. Os manuais de autoajuda contribuem para a constituição de novas subjetividades e para a inculcação do “novo espírito do capitalismo”, com novos modos de ser, agir e interagir que se adequam às novas realidades laborais e à ordem capitalista em vigor.

  • JOÃO VITOR MOREIRA MAIA
  • Uma leitura da dimensão ética da Gestalt Terapia: um diálogo com Martin Buber e Emmanuel Lévinas

  • Data: 22/04/2013
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  • Busca-se compreender como ocorre a dimensão ética da gestalt-terapia, em seus referenciais teórico-metodológicos, entendendo-se que tais referenciais orientam a atitude que o terapeuta desta abordagem exerce em seu trabalho de escuta do outro. A pesquisa surge da necessidade de compreender e sistematizar a dimensão ética da gestalt-terapia, presente, de ordinário, de maneira subliminar nas elaborações teóricas da abordagem gestáltica. Propõe-se, com origem na perspectiva hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer, realizar uma pesquisa de cunho teórico. Entende-se a gestalt-terapia como abordagem psicoterápica eminentemente compreensiva e experiencial, partindo-se do preconceito de que em gestalt-terapia se encontra uma ética que se lança à compreensão e acolhimento do Outro, em sua diferença essencial, podendo ser entendida como ética do encontro, dialógica, enraizada epistemologicamente na Filosofia dialógica de Martin Buber. Busca-se, também, percorrer os caminhos trilhados anteriormente por Freire (2000), tomando como referência a ética levinasiana, na qual a condição ética sucede na abertura ao Outro, dada originariamente como condição de possibilidade de toda subjetividade, fazendo-se necessário entender a centralidade do conceito de Outro para a discussão ética. Propõe-se um diálogo entre a gestalt-terapia, a Filosofia dialógica de Martin Buber e a Filosofia da alteridade radical de Emmanuel Lévinas. Considera-se ao fim da pesquisa que a gestalt-terapia, na forma como se expressa em seus fundamentos teórico-epistemológicos, não dá conta das exigências éticas que trazem o pensamento de Martin Buber e, principalmente, o de Emmanuel Lévinas. Entende-se, todavia, que tais exigências não são totalmente estranhas ao conjunto de crenças e valores que compõem a perspectiva da abordagem gestáltica. Percebe-se que a Gestalt-terapia traz em seus fundamentos teórico-epistemológicos elementos que permitem conjecturar aproximações com estas exigências éticas.

  • VALDEMIR PEREIRA DE QUEIROZ NETO
  • O culto da performance na publicidade: subjetividade feminina em tempos velozes

  • Data: 25/02/2013
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  • A realização da presente dissertação foi motivada por uma preocupação acerca das novas formas de estruturação da subjetividade feminina, produzida com base na Indústria Cultural e na Publicidade, esta considerada como uma instância simbólica, privilegiada, da sociedade de consumo contemporânea. Seu objeto de estudo consiste na investigação dos significados psicossociais de publicidades dirigidas ao público feminino que privilegiam o empreendedorismo e o culto à velocidade mediante o discurso esportista e do consumo hedonista, como modelos de prescrição identitária. Para tal, discutiram-se alguns aspectos que propiciaram a emergência da atividade científica e da racionalidade instrumental como porta-voz e portador de “modernidade”, mas também, como instaurador de um modo de saber legitimado em nome do progresso a qualquer custo, e por isto, um poderoso veículo de dominação. Com a finalidade de evidenciar os meios pelos quais a publicidade contemporânea é capaz de produzir subjetividades que podem redundar em dominação ideológica e reprodução de comportamentos consumistas, dedicou-se também parte deste estudo à discussão sobre a publicidade, sua função, significado social e formas estratégicas de subordinação do desejo à lógica do mercado. Adotou-se como eixo teórico-metodológico o referencial da Teoria Crítica, da Escola de Frankfurt, além de autores contemporâneos tais como Birman, Costa, Lipovetsky , Lasch, Ehremberg, Kehl, Severiano, Aquino, Soares, dentre outros. A pesquisa empírica foi desenvolvida com suporte de uma coleta de peças publicitárias direcionadas ao público feminino nas revistas Women’s Health e Você S/A entre os anos de 2011 e de 2013. Foram selecionadas peças publicitárias que expressam apelos ao sucesso profissional por meio do exercício de múltiplos papéis, ao esporte como facilitador de altas performances e ao consumo feito expressão de felicidade. Estes temas constituíram nossas categorias de análise, quais sejam: o discurso da felicidade, do empreendedorismo e da esportividade. Uma análise qualitativa, de natureza teórico-crítica foi escolhida como estratégia metodológica de exame dos referidos discursos, permitindo uma reflexão sobre a mercantilização dos atributos humanos. Os discursos investigados revelaram: quanto ao discurso vinculado ao consumo hedônico, que as compras são a via pela qual a mulher potencializa sua felicidade e completude negando quaisquer conflitos no cumprimento dos múltiplos papéis; quanto ao discurso do empreendedorismo, de que a empresa é modelo identitário para a experiência, não só de trabalho, mas de vida da mulher e meio para aceleração do tempo e sucesso profissional; e quanto ao discurso da esportividade, o esportista de alta performance é conclamado por sua capacidade de superar limites, adversários e o temido anonimato, buscando (pseudo)individualizar-se  e conquistar visibilidade com um corpo atlético referenciado no espetáculo midiático. Em termos gerais, a análise apontou para uma identidade feminina pautada em modelos de dependência aos produtos e serviços mercantis, como produtor de pertença e ascensão social num tempo acelerado e movido pelo perfil de performance do tipo empresarial. A elaboração desse espaço subjetivo representa relevante campo de estudo para a Psicologia Social porque reflete sobre a mulher midiática que se fabrica via Indústria Cultural em oposição à mulher humana que ainda busca emancipação de condições histórico-culturais de injustiça e dominação.

2012
Descrição
  • NATALIE BRITO ARARIPE
  • A atuação do acompanhante terapêutico no processo de inclusão escolar

  • Data: 13/12/2012
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  • Essa dissertação investiga o trabalho do acompanhante terapêutico na inclusão escolar de crianças com deficiência. O acompanhamento terapêutico é uma modalidade de atendimento individualizado e intensivo de pessoas com necessidades específicas, em seus ambientes naturais, como casa, escola ou trabalho. Não obstante, o trabalho desse profissional, que muitas vezes é chamado também de ‘estagiário de inclusão’, em ambiente escolar tem gerado opiniões controversas na literatura. Devido a essas controvérsias e à indefinição dos papéis desse profissional na escola, delineamos o objetivo que norteou a pesquisa aqui relatada: compreender a atuação de acompanhantes terapêuticos no processo de inclusão escolar de crianças com necessidades específicas, a partir do entendimento de sua função mediadora. Tal função mediadora tem seu ponto de partida na teoria de Vigotski, que utilizamos como base para articular os achados da pesquisa. Utilizamos também, como base teórica complementar à discussão dessa pesquisa, traçados críticos, de autores contemporâneos, sobre a deficiência e a inclusão escolar. Como ferramentas metodológicas, adotamos um estudo de caso de caráter etnográfico numa sala de aula com acompanhante terapêutica, localizada em uma escola particular de Fortaleza. Elegemos interações e a dividimos em categorias teóricas (interação, mediação, produções de sentido lógicas de ação e binômio inclusão/ exclusão) e categorias empíricas, ligadas às interações específicas do acompanhante terapêutico com a criança em processo de inclusão, com outras crianças, com o professor e com a família da criança. Observamos que o acompanhamento terapêutico tem condições de mediar processos de inclusão voltados para o social e para o conteúdo da criança quando atua em articulação com o professor e as crianças da sala, sem isolar a criança. Quando o acompanhante terapêutico volta-se apenas à criança em processo de inclusão, provavelmente a torna dependente e alheia aos processos em sala de aula, o que é muito provável de ocorrer. Concluímos que o acompanhante terapêutico, na sala de aula, muitas vezes aparece como um sintoma da escola, que não possui solução para sua obrigação legal de realizar uma educação para todos e que, portanto, não vê que o processo de inclusão não ocorre isolado da sua dialética exclusionista.

  • CAMILLA ALVES LIMA
  • Uma vida para além do ponto: implicações da jornada de trabalho na organização temporal e vivências cotidianas dos trabalhadores de restaurantes de Fortaleza

  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 29/11/2012
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  • A pesquisa em questão analisa as implicações da jornada de trabalho na organização temporal e vivências cotidianas dos profissionais de restaurantes. O estudo da temporalidade e suas relações como o “fazer cotidiano” se inscreve em um contexto sócioeconômico marcado pela precarização e flexibilização dos vínculos laborais: a restauração. Apesar de ser um dos segmentos da economia com maior crescimento nos últimos anos e com forte capacidade de geração de empregos, os profissionais da área ainda apresentam baixo nível de escolaridade e  remuneração média aquém das demais atividades de serviços. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com dez profissionais (três gerentes e sete funcionários, dentre eles garçons, auxiliares de cozinha e cozinheiro) do grupo de restaurantes onde a pesquisadora atuou entre 2006 e 2009. A análise dos dados baseou-se na metodologia proposta por Alonso (1998), denominada Análise Sociológica do Discurso. A partir dessa metodologia, foram criadas três categorias de análise, a saber: Trabalho, Organização Temporal e Vivências Cotidianas. Os discursos permitiram evidenciar que a jornada de trabalho em restaurantes representa uma temporalidade dominante na vida dos trabalhadores, submetendo os demais tempos sociais à sua configuração. O tempo de estar com a família, de estudar, o tempo para o descanso e o do “nada fazer” dependem do tempo determinado pelo trabalho, sobretudo entre os trabalhadores noturnos. Assim, seja pelo cansaço, seja pelo horário atípico em que se está liberado do trabalho, as possibilidade de vivências cotidianas dos trabalhadores mostraram-se limitadas, o que interfere diretamente nas relações sociais estabelecidas.

  • EMYLIO CESAR SANTOS DA SILVA
  • A psicologia e as políticas públicas de saúde: um estudo sobre a atuação da(o) psicóloga(o) na atenção primária à saúde no município de Fortaleza

  • Data: 31/08/2012
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  • O reconhecimento internacional da Atenção Primária à Saúde (APS) como fundamento para um novo modelo de atenção à saúde vem provocando mudanças no âmbito teórico-prático de diversas categorias profissionais da saúde e assistência social, dentre elas a Psicologia. No Brasil, a APS constitui-se como a principal porta de entrada do usuário aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo sido desenvolvida pela Estratégia de Saúde da Família (ESF). Em que pese a notável ampliação da atuação de psicólogas (os) na APS nos municípios de todas as regiões brasileiras, ainda são poucos os estudos que pretenderam abordar o tema sobre a formação e atuação profissional neste contexto. Este estudo se insere no contexto das políticas públicas da saúde e discute as práticas de formação na Psicologia, considerando as interfaces entre a saúde coletiva, formação e prática profissional de psicólogas (os) como suporte às Equipes de Saúde da Família (EqSF). A constatação de que os serviços de saúde, especificamente os Centros de Saúde da Família (CSF) se constituem em recentes locais de atuação de psicólogas (os) e que estas práticas se caracterizam como formas diferenciadas de atuação se comparadas a outros contextos justifica a relevância deste estudo. Trata-se de um estudo exploratório de natureza qualitativa. Investigou aspectos demográficos, da formação e atuação no contexto das políticas públicas da saúde. A pesquisa foi realizada em unidades de saúde com psicólogas (os) com pelo menos um ano de atuação na APS. Para coleta de dados foi utilizado questionário de entrevista semiestruturada. O tratamento de dados utilizou a análise de conteúdo de Bardin. Observou-se que as (os) psicólogas que atuam neste contexto vêm enfrentando dificuldades relacionadas ao desempenho de atividades em equipe que se apresentam por fatores que vão desde a deficiência na formação profissional para a atuação interdisciplinar dentro de um contexto multiprofissional até dificuldades por estarem lotadas em unidades de saúde que variam de duas a quatro, o que dificulta e reduz a capacidade de vinculação entre as equipes de saúde e os territórios de cobertura das Equipes de Saúde da Família e dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF).

  • MARIANA OLIVEIRA DO REGO
  • As particularidades da transferência na neurose obsessiva

  • Data: 31/08/2012
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  • A transferência na neurose obsessiva apresenta muitas características que podem se transformar em dificuldades no decorrer do tratamento analítico. Visamos, neste estudo, a analisar tais particularidades e a associá-las à estrutura da própria neurose obsessiva. Essas dificuldades no manejo da transferência do obsessivo se manifestaram para nós na realidade da clínica, da qual extraímos nossa temática, mas, apesar disso, o caso atendido não possuía elementos suficientes para embasar uma pesquisa. Optamos, pois, por abordar a neurose obsessiva e a transferência a partir de um ponto de vista metapsicológico, enfatizando os aspectos dinâmicos e econômicos referentes a cada um desses conceitos. Feito isso, correlacionamos os dados encontrados às dificuldades enfrentadas por Freud em seus principais casos de neurose obsessiva e, ainda, aos percalços por nós encontrados no caso clínico que motivou a pesquisa. Concluímos que o modo particular através do qual o recalque se manifesta na neurose obsessiva (o deslocamento) é responsável por muitos predicados dessa neurose, como a tendência às racionalizações e a formação de comportamentos ritualísticos. Na transferência, os efeitos mais visíveis do deslocamento são as racionalizações constantes e a resistência em associar livremente. Essas manifestações se relacionam também ao caráter ambivalente tão presente nos obsessivos. Com dificuldades em conseguir um destino adequado para as pulsões de amor e ódio, igualmente intensas, o obsessivo adota formações de compromisso como tais resistências, que, ao mesmo tempo em que parecem inócuas, entravam a análise por não fazerem com que o sujeito nela se implique. Concluímos que, sendo a transferência uma neurose artificial, é imprescindível que compreendamos as características da neurose em questão, pois estas são responsáveis por dar o tom da transferência.

  • EDGLA MARIA COSTA BARROS
  • Estabilidade, serviço público e transformações do mundo laboral: articulações a partir da experiência dos servidores do Poder Judiciário do Ceará

  • Orientador : CASSIO ADRIANO BRAZ DE AQUINO
  • Data: 30/08/2012
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  • O presente estudo surgiu da motivação em investigar o anseio de muitos brasileiros por trabalhar no serviço público, e mais especificamente a busca pela estabilidade profissional. Fizemos uma relação entre este movimento em direção aos concursos públicos, considerando o atual contexto, cenário de precarização laboral.  Os fatores que fazem com que muitos almejem um cargo público são: a estabilidade, o alto salário e a possibilidade de crescimento e desenvolvimento da carreira. Um dos motivos da expansão e lucratividade deste mercado de concursos públicos se deve provavelmente ao descontentamento dos trabalhadores em relação às oportunidades de empregos no mercado. Indagamos se a busca pelo serviço público é uma alternativa encontrada pelo trabalhador a essa precarização vivenciada de forma mais explícita no contexto privado. A fim de compreender a lógica que perpassa o atual cenário laboral, fazendo com que muitos busquem a estabilidade através do serviço público, nos detemos no estudo das transformações no mundo do trabalho e na caracterização de trabalhos considerados precários, flexíveis e na conceituação de intensificação do trabalho. O objetivo geral da pesquisa é analisar a estabilidade profissional, em um contexto de precarização laboral, para um grupo de servidores concursados do Tribunal de Justiça do Ceará.  Os objetivos específicos do estudo visaram analisar a emergência da precarização laboral no contexto da contemporaneidade e compreender o papel da estabilidade para os trabalhadores investigados na sua opção pelo serviço público. O tema suscitou também uma reflexão sobre o hodierno campo das incertezas aos quais trabalhadores estão submetidos. Mészáros (1989) afirma que o modo de produção capitalista é inimigo da durabilidade, tornando produtos, coisas e pessoas rapidamente obsoletos e substituídos por mercadorias mais novas. A relevância do estudo consiste em poucas produções científicas relacionadas à estabilidade profissional e a eclosão de cursos preparatórios para concurso, indicando uma busca elevada da sociedade para a iniciativa pública. O método utilizado foi a pesquisa qualitativa, como técnica de coleta e análise de dados a entrevista recorrente. A amostra será composta por servidores públicos do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, aprovados em concurso público. A coleta de dados foi feita a partir de entrevistas individuais com os cinco servidores selecionados pela instituição. O material obtido ao longo da pesquisa foi analisado a partir da proposta da Análise de Conteúdo Temática de Laurence Bardin com auxílio do software de análise qualitativa ATLAS TI 5.2.

  • LOUISIANNE BARROS DE SIQUEIRA
  • Informalidade e precarização: o trabalho das costureiras de facção de Fortaleza/Ceará

  • Data: 30/08/2012
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  • Este estudo ancorou-se na ideia de que a informalidade e a precarização das relações de trabalho são partes integradas e interdependentes. Constituem uma mesma realidade que se instalou no rastro das transformações recentes na esfera laboral. A nova configuração produtiva, as ‘pressões’ da globalização e as ideias neoliberais impulsionadas pela força de acumulação do capital, transformaram profundamente o trabalho, produzindo novas formas de inserção dos trabalhadores no mundo do laboral e, consequentemente, um novo trabalhador, onde necessidades diversas convivem, produzindo experiências específicas de significados singulares. Sabe-se que o trabalho impacta na vida do trabalhador, influenciando a estruturação de suas vidas, consequentemente, seus modos de viver, seja dentro ou fora do mesmo. Funda-se na relação intrínseca do labor com o modo de vida e também na noção de que ele não é apenas central na vida das pessoas, mas constituinte. O presente estudo fez parte da pesquisa para obtenção do grau de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará. Focou a realidade das costureiras, no enfrentamento diário de demandas sociais permeadas pelas relações de trabalho do contexto de facção, com o objetivo de analisar as consequências das novas formas de relações de trabalho em facção na vida das costureiras de Fortaleza-Ceará. A partir de uma abordagem qualitativa dos dados, o estudo foi realizado com 08 costureiras do bairro Conjunto Palmeiras que trabalham em sistema de facção de costura a domicílio, sem contrato formal de trabalho. Elas possuem no mínimo um ano prestando serviços para o mercado de confecção deste município. Foi feita uma abordagem qualitativa ao contexto pesquisado, através da técnica de entrevista, individual e grupal, registradas manualmente, ou gravadas; e em diário de campo. As categorias temáticas foram identificadas e validadas pelo cruzamento dos registros produzidos, através da Análise de Conteúdo de Bardin. Considerou-se que estas novas relações de trabalho trouxeram consequências para a vida das costureiras de facção de Fortaleza – Ceará. O núcleo central destas experiências reveladas, apenas disfarçadas de novas, emerge marcado por formas laborais antigas, inspiradas no caráter de exploração e expansão contínuos do modo capitalista de produção, quando sustentam as cadeias produtivas do setor de confecções e do vestuário, em sua estratégia de enfrentamento da competitividade no mundo globalizado.

  • BRENNAND DE SOUSA BANDEIRA
  • Estudo da afetividade de moradores do Centro de Fortaleza-CE frente ao Plano Habitacional para Reabilitação da Área Central

  • Data: 24/08/2012
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  • Esta pesquisa tem por objetivo investigar as relações afetivas dos moradores do Centro de Fortaleza-CE. A investigação se pauta pela colaboração interdisciplinar entre o diagnóstico socioambiental do espaço urbano e a aplicação dos instrumentos geradores dos Mapas Afetivos (BOMFIM, 2010), uma metodologia de apreensão dos afetos oriunda da Psicologia Ambiental e Psicologia Social. O diagnóstico socioambiental do centro histórico foi elaborado adotando-se, como parâmetro, os elementos sistema viário e o uso e ocupação do solo, constantes na Lei nº 7987, de 23 de dezembro de 1996 (Lei de Uso e Ocupação do Solo). Referenciados na situação sociourbana do uso habitacional, nossa análise identificou 04 (quatro) regiões com características socioambientais relativamente distintas entre si. A amostra foi composta por 100 sujeitos de ambos os sexos (residentes do Centro Histórico) escolhidos por conveniência. Aplicamos os instrumentos geradores dos Mapas Afetivos e complementamos a pesquisa com um questionário contendo 15 questões fechadas sobre as condições de moradia do Centro. A metodologia do instrumento gerador dos Mapas Afetivos possibilitou-nos apreender os sentimentos e emoções dos sujeitos a partir das seguintes imagens afetivas: Pertencimento, Contraste, Destruição, Agradabilidade, Atração e Insegurança. Na análise complementar dos Mapas Afetivos, os dados estatísticos trabalhados pela análise de variância ANOVA, levou em consideração cada imagem e os setores já comentados. Os resultados indicaram diferenças significativas entre os níveis de Agradabilidade, Pertencimento, Destruição e Atração em relação aos setores previamente diagnosticados. Os resultados obtidos na pesquisa mostraram-se relevantes para a compreensão dos afetos e significados estabelecidos pelo sujeito em sua relação com o bairro. Tais dados, se associados ao processo de participação popular proposto pelos planos, podem constituir importantes achados para a projeção de diretrizes urbanas e sociais mais condizentes com os aspectos vividos pelo público-alvo dos planos.

  • IRIS GUILHERME BONFIM
  • Apoio matricial em saúde mental na estratégia de saúde da família em Fortaleza: ouro que não bóia

  • Data: 20/08/2012
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  • O presente estudo tem como objetivo compreender o Apoio Matricial em Saúde Mental na Estratégia de Saúde da Família a partir do seu funcionamento e dos sentidos construídos sobre este Apoio por apoiadores matriciais, profissionais e gestores de Centros de Saúde da Família. A organização do Apoio Matricial é complexa e exige a superação de vários desafios para efetivar a sua execução. Tal Apoio contribui para favorecer o diálogo e a troca de conhecimentos e experiências entre os profissionais de diferentes áreas da saúde, a fim de ampliar a integralidade da atenção. Segundo Vygotsky e Paulo Freire, há uma relação indissociável no ser humano entre cognição e afetividade. Assim como também entre a realidade social e cultural do sujeito, o desenvolvimento da sua consciência e a sua construção de sentidos sobre a realidade. Partindo desses autores, entende-se que a formação da compreensão pessoal dos profissionais sobre o Apoio Matricial está permeada também pela dimensão da realidade objetiva vivenciada por eles no cotidiano do trabalho em saúde. Nessa perspectiva, a construção dos dados foi realizada dentro do referencial teórico da pesquisa qualitativa, em três Centros de Saúde da Família de diferentes Regionais de Fortaleza, através dos seguintes instrumentos: entrevista individual semi-estruturada com coordenadores; dois grupos focais com profissionais; e anotações de campo. Para a discussão e análise dos dados foi utilizada a técnica de análise de conteúdo. Os resultados da pesquisa foram organizados a partir de duas dimensões de análise: Organização e funcionamento do Apoio Matricial em Saúde Mental nos Centros de Saúde da Família e Sentidos construídos sobre o Apoio Matricial em Saúde Mental pelos profissionais. A primeira dimensão possui três categorias, cada categoria descreve sobre a organização e o funcionamento do Apoio em cada Centro de Saúde estudado. Já a segunda dimensão foi subdividida em duas: uma para os sentidos dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família e outra para os dos apoiadores matriciais. Cada uma dessas dimensões foi subdividida em categorias que surgiram a partir da análise do material dos grupos focais. Os resultados mostram que Apoio Matricial em Saúde Mental com um real envolvimento dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família acontece de forma esporádica nas três Regionais estudadas e muitos desafios precisam ser enfrentados para sua realização. Na Regional com menor oferta de serviços de Saúde Mental, proporcional a sua população, verificou-se um desafio maior para a realização desse Apoio. Os profissionais e gestores apontaram que os processos de educação permanente contribuem para a organização e qualificação do Apoio Matricial, bem como para um maior envolvimento dos profissionais da Atenção Primária nesse Apoio em dois Centros de Saúde estudados. Houve uma polissemia de sentidos construídos sobre o Apoio Matricial pelos profissionais que traduziu tanto a potencialidade desse Apoio, como os desafios para a sua realização em Fortaleza. Verificou-se a necessidade de um posicionamento mais claro e coeso da gestão sobre a realização do Apoio Matricial para a integração das redes assistenciais de Saúde Mental e de Atenção Primária na cidade.

  • ANA CAROLINE COSTA
  • Lar doce lar? um estudo sobre afetividade de idosos residentes em instituições de longa permanência em Fortaleza

  • Orientador : ZULMIRA AUREA CRUZ BONFIM
  • Data: 14/08/2012
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  • O objetivo principal dessa pesquisa foi estudar a afetividade de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência, na cidade de Fortaleza – CE, sendo estas consideradas lugares de moradia para os que aí vivem. Buscamos verificar questões como as políticas públicas existentes, relacionar as condições de moradia com o nível de satisfação dos idosos residentes, assim como avaliar seus processos de apropriação do espaço e a relação desta com o envelhecimento. Com o intuito de termos um panorama da distribuição das Instituições de Longa Permanência para Idosos – ILPI - existentes na cidade Fortaleza, fizeram parte do nosso campo de pesquisa um total de 21 idosos distribuídos em seis instituições, sendo uma de cada Secretaria Executiva Regional – SER – que a cidade está dividida. Tivemos como referencial teórico a Psicologia Ambiental e a Psicologia Social e seus métodos e técnicas como os grupos focais, as entrevistas individuais, o diário de campo e o instrumento gerador dos mapas afetivos, este como método de apreensão dos afetos. Por meio das imagens de agradabilidade e de pertencimento geradas pudemos visualizar sentimentos e qualidades positivos dos residentes com o que revela uma estima positiva com relação ao lugar. Já nas categorias de pertencimento como sobrevivência e pertencimento ao passado registramos sentimentos e qualidades despotencializadores do sujeito, o que deflagra uma estima negativa dos residentes com relação às ILPIs. Na busca de contemplar esses objetivos pudemos perceber que, apesar da população brasileira estar em pleno processo de envelhecimento, a sociedade atual está despreparada para lidar com esse tema. As políticas públicas existentes são muito recentes e ainda estão em processo de implementação. Os órgãos públicos que deveriam contribuir e apoiar o desenvolvimento de instituições como as de longa permanência para idosos (ILPI) ficam apenas com a função de cobrar, julgar e multar.  Percebemos que esses idosos residentes em ILPIs estão desassistidos tanto no que concerne às políticas públicas, como ao apoio da família e da sociedade em geral.

  • OSVALDO COSTA MARTINS
  • Os manuscritos de Antônio Conselheiro: culpa e identificação na religião do filho. (Uma resposta à Igreja e ao Estado)

  • Data: 10/08/2012
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  • Trata-se de uma leitura psicanalítica dos dois Manuscritos de Antônio Conselheiro. Supusemos em relação a estes, dois pontos: (1) suas prédicas revelam culpa e identificação naquilo que Freud chamou de Religião do Filho. Considerado legítimo no período do Império, com o advento da Romanização e da República, Antônio Conselheiro passou progressivamente a ser visto como inimigo da Igreja e do Estado; (2) os Manuscritos expressariam também uma resposta a esta nova condição: por meio de uma intensificação de sua fé, Antônio Conselheiro se legitima pela renúncia ao desejo, o sacrifício de si e aquilo que Freud chamou de reconciliação do filho com o Pai.

  • OLIVIA LIMA GUERREIRO DE ALENCAR
  • Um estudo sobre o comprometimento vocacional na construção das trajetórias de carreira de gestores e docentes do Ensino Superior

  • Data: 06/08/2012
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  • Na atual pesquisa, consideramos a vocação como uma dimensão do comprometimento com a carreira e aprofundamos a compreensão sobre sua representatividade na construção das trajetórias de vida de trabalho. Busca-se conhecer como os sujeitos comprometidos vocacionalmente constroem suas carreiras na atualidade. O eixo conceitual adotado advém da Psicologia vocacional de Donald Super e da concepção de “carreira proteana” de Douglas Tim Hall, cujos conceitos apontam para uma perspectiva contextual-desenvolvimentista de construção das carreiras. Foi adotada uma abordagem qualitativa e quantitativa dos dados com a aplicação da escala de comprometimento e entrincheiramento na amostra constituída por 34 sujeitos, de ambos os sexos, todos oriundos de uma instituição de ensino superior, onde exercem atividades de docência e gestão. Os sujeitos com maiores pontuações na escala de comprometimento com a carreira foram entrevistados individualmente e os dados obtidos submetidos à análise de conteúdo. As dimensões psicológicas consideradas foram: autoconceito vocacional, planejamento de carreira, significado do trabalho, influências sociais, escolha da profissão e identificação com o trabalho atual. Os resultados apontam para uma relação significativa entre relações familiares, autoconceito vocacional e planejamento de carreira nos sujeitos comprometidos vocacionalmente. A carreira como uma vocação parece ter sido vivenciada e conhecida no contexto do convívio íntimo da família, onde se desenvolveram as primeiras bases do autoconceito e das decisões vocacionais. As famílias demonstraram traços comuns no relacionamento entre pais e filhos: a autonomia para a decisão vocacional pretendida, o apoio para realizá-la e a valorização do trabalho como um dos principais meios de se obter satisfação na vida. Constatou-se que os sujeitos comprometidos vocacionalmente receberam referenciais do modelo de carreira proteana, através das figuras parentais com as quais se identificaram. Uma das dimensões mais relevantes encontradas nos sujeitos desta pesquisa refere-se à gestão da carreira: são autodirigidos e suas decisões são norteadas pelo autoconceito vocacional, que lhes dá um sentido claro e significativo de orientação para a vida do trabalho. A perspectiva do comprometimento vocacional com a carreira é discutida, em termos teóricos e práticos, como uma proposta de tipo de carreira proteana a partir dos resultados encontrados.

  • LIANA ROSA ELIAS
  • A apropriação do pensamento epistemológico de Ernst Mach por Freud e Skinner.

  • Data: 02/07/2012
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  • Trata-se aqui de esclarecer a apropriação do pensamento epistemológico de Ernst Mach (1838-1916) por Sigmund Freud (1856-1939) e Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). Semelhanças e diferenças foram encontradas a este respeito, mediante o que Abib chamou de pré-texto em seu método epistemológico. As categorias machianas que serviram de análise foram: (1) o monismo das sensações; (2) o papel da subjetividade na ciência; (3) delimitação da ciência e o modelo explicativo de Mach. Considerando o fundamento agnosticista que Freud conferiu à Metapsicologia, constatou-se que a apropriação realizada por ele compreender como referentes, ora as relações entre a ciência e a filosofia, ora os limites da ciência enquanto saber aberto e dinâmico. Os referentes machianas em Skinner foram: a identificação de relações funcionais como modelo explicativo; a crítica ao mecanicismo; a adoção de um monismo materialista; objeto, objetivos e validade em ciência e a adoção da máxima machiana descrever é explicar. A respeito da apropriação aludida, foram encontradas as seguintes semelhanças entre Freud e Skinner: a concepção machiana de que a ciência é uma atividade humana na busca pelo estabelecimento de relações funcionais; o caráter transitório da explicação científica; nenhuma relação com o fenomenismo das sensações. Quanto às diferenças nas apropriações, constatou-se que Skinner aderiu mais amplamente às propostas de ciência de Mach, enquanto Freud, considerando para além desta, os modelos do fisicalismo e energetismo implicou o que Assoun chamou de realismo racionalista que aliava o fenomenismo machiano a um racionalismo operacional. Skinner manteve os princípios machianos da adequação dos pensamentos aos fatos e o papel das hipóteses, mas foi além destes referentes; concebeu também a interpretação como uma via de produção do conhecimento científico. Eis outra diferença encontrada: Skinner estruturou sua lógica funcional e anti-metafísica referindo-se à crítica machiana ao mecanicismo; Freud considerou os argumentos do energetismo em detrimento da crítica machiana aludida. Constatou-se, finalmente, que, apesar de suas apropriações quanto ao pensamento epistemológico de Mach, Freud e Skinner também criaram concepções inéditas em suas ciências.

  • KELLY MOREIRA DE ALBUQUERQUE
  • Investigação epistemológica sobre as dualidades conceptuais normal/patológico e saúde/doença em Freud: uma perspectiva lewiniana

  • Data: 02/07/2012
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  • Trata-se de uma investigação sobre as dualidades conceptuais saúde/doença e normal/patológico em Freud. Mediante a perspectiva epistemológica de Kurt Lewin, buscamos saber o quanto estas dualidades expressariam o modo de pensamento galiléico e o que há do modo aristotélico. Ora, uma vez que Freud oscilou entre as duas formas de pensamento, procuramos, no seu próprio texto, algumas indicações que pudessem servir como referência galiléica suplementar. Consideramos que ao falar sobre plasticidade e adesividade libidinais, ele teria estabelecido um continuum entre estas categorias em relação: em vez de opô-las em dicotomias aristotélicas, ele as teria conectado dialeticamente como verdadeiras dualidades ou séries de fenômenos que compreenderiam uma variação contínua entre si. Tal justificaria o reconhecimento de que fases de transição estariam sempre presentes entre a normalidade e a patologia, e saúde e doença, respectivamente. Supondo que Freud tenha apenas raciocinado mediante tal lógica, não chegando a formalizá-la epistemologicamente, tentamos formalizá-la com a ajuda do que Canguilhem expôs sobre a normatividade de vida e as diferenças entre normalidade e saúde e, anormalidade e patologia. Verificamos que (1) as dualidades acima referidas expressam amplamente o modo de pensamento galiléico, mormente quanto às neuroses; ele as concebeu como séries de fenômenos que compreendem uma variação contínua entre si. (2) Apesar da distinção entre seus campos de referência, a lógica que descobrimos haver em Freud é algo comparável com o que Canguilhem atribuiu à normatividade vital.

  • PAULA JULIANNA CHAVES PINTO
  • O estatuto do caso clínico para a edificação da teoria psicanalítica

  • Data: 29/06/2012
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  • A presente pesquisa teve por objetivo investigar o lugar ocupado pelo relato do caso clínico para a edificação da teoria freudiana. Parte-se do pressuposto de que os tratamentos publicados por Freud demarcam importantes problemas que, uma vez examinados, resultaram na elaboração e/ou formalização de achados clínicos essenciais para a construção da psicanálise como ciência. Das cinco grandes psicanálises publicadas por Freud, apenas três foram tratamentos conduzidos por ele; devido a isso, nessa pesquisa a escolha foi a de trabalhar especificamente com o Caso Dora e o Caso do Homem dos Ratos, por paradigmáticos que são para a clínica das neuroses. O encaminhamento metodológico dado à pesquisa consistiu na análise dos citados relatos, procurando evidenciar, por meios analíticos e sintéticos, o modo como foram expostos por Freud, ou seja: a construção e a exposição da lógica argumentativa da história do paciente, de seu adoecimento, das estratégias de tratamento adotadas e das teorizações disso resultantes. Freud sempre dialogou com a psicopatologia e psiquiatria de sua época e, dada a importância conferida por ele a isso, aqui se considera fundamental que, antes da exposição da análise dos casos citados, sejam evidenciadas as especificidades da escrita de casos tal como realizado por Freud em relação a essas tradições. Em seguida, destaca-se o objetivo da divulgação de cada um dos casos, as formalizações conceituais deles advindas e seus impactos técnicos. Dentre os principais achados desta pesquisa encontram-se: a) a originalidade de Freud na criação de um estilo singular de relato de caso, no qual o paciente deixa de ser considerado como o representante de uma doença para demarcar, a partir da singularidade de sua verdade inconsciente, os aspectos que poderiam definir a etiologia das neuroses de uma forma universal; b) a demarcação do lugar ocupado pela consideração da transferência do paciente para com o analista, a partir dos erros que destaca ter cometido no tratamento de Dora, para a condução do tratamento, para a compreensão da singularidade com que se reveste a identificação na histeria e para consolidar o método da associação livre; c) o Caso do Homem dos Ratos serviu à sistematização dos dados clínicos destacados pela experiência freudiana, possibilitando a definição etiológica da neurose obsessiva e a sua retirada, no contexto da classificação psiquiátrica, do quadro das psicoses monomaníacas. Esse caso teve impacto considerável na construção da segunda tópica freudiana no que diz respeito ao liame que seria estabelecido entre a culpa, a ação do supereu e da pulsão de morte.

  • ANTONIO LUCIEUDO LOURENÇO DA SILVA
  • (Trans)Formação de subjetividades após lesão medular: em direção à hermenêutica do sujeito

  • Data: 20/06/2012
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  • Este estudo trata da experiência dos sujeitos com lesão medular e sua fase crônica. Seu enfoque está embasado na perspectiva da pesquisa-intervenção, aliada à análise de Michel Foucault acerca de práticas discursivas, da arte de existência e nas técnicas de si, como eixos para hermenêutica do sujeito. Como objetivos, visou: problematizar como se constitui a subjetividade de quem vivencia a lesão medular, circunscrito à prática discursiva da deficiência, como possível hermenêutica de si; analisar as práticas discursivas a respeito da deficiência física e do corpo alterado após a lesão na medula; analisar nos discursos dos sujeitos como se dá a efetivação de tais práticas discursivas; analisar a posição do pesquisador por meio da análise de implicação, ancorada na pesquisa-intervenção. Com essa investida, buscou-se traçar os encadeamentos com a contemporaneidade, especificando os conceitos articulados com a prática em reabilitação de sujeitos com lesão medular, o que não se pretendeu uma transposição de conceitos gregos à atualidade. Pelo contrário, intentou-se contextualizá-los e problematizá-los a partir da vivência dos sujeitos e da experiência do processo de efetivação da pesquisa. Realizaram-se grupos de discussão com sujeitos de uma associação desportiva de deficientes, por meio dos quais se tornou possível discutir e explanar os assuntos pertinentes aos objetivos do estudo. Nesse percurso, puderam ser destacadas as práticas discursivas e não discursivas que envolvem e constroem a normalidade, a deficiência física e a reabilitação. O que se pôde enunciar foi a circunscrição a que esses sujeitos lesionados na medula estão remetidos e praticando. Perscrutou-se sobre as questões do corpo, das políticas públicas sobre a deficiência, as dificuldades, como acessibilidade, transporte e as questões previdenciárias, a mídia, a prática desportiva, a sexualidade e vivência propriamente dita de alguém com esse tipo de lesão neurológica. Deduziu-se que todas essas demarcações são pontos de enunciação e produção dessas subjetividades. Os discursos e enunciados a que esses sujeitos se remetem são partes dessa discursividade, dessa prática que se efetua em suas trajetórias de vida. Desse modo, pôde-se inferir que esses sujeitos estão vinculados a essas práticas e seus modos de subjetivação são resultantes dos vetores políticos e históricos e dos saberes e relações de poder a que estão submetidos. Isso, no entanto, não os impede de buscar espaços, fendas e linhas de fuga por meio das quais possam se dizer e se sentir legítimos sujeitos diferentes.

  • LIS ALBUQUERQUE MELO
  • Entre se dizer e ser dito criança: significados e sentidos construídos pelas crianças acerca da ação de participação

  • Data: 15/06/2012
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  • O presente trabalho objetivou compreender os significados e sentidos construídos pelas crianças acerca da ação de participação. Dos diversos lugares que crianças ocupam na sociedade brasileira constata-se que junto aos discursos e práticas sociais que enaltecem seu direito à participação e à voz na vida social e política, coerentes com o fato de as crianças serem facultados direitos e deveres, coexistem aqueles que a afirmam em um lugar de incapacidade e inferioridade no percurso de desenvolvimento do sujeito racional de uma sociedade eminentemente adultocêntrica. Desde uma perspectiva histórico-cultural da constituição humana, compreende-se que as crianças se constroem como tais nas tensões características desse contexto. A participação é definida como uma ação que se concretiza na interação com o(s) outro(s), em contextos social e culturalmente carregados de valores, sendo focadas as situações cotidianas, com sua diversidade de modos possíveis de participar. A pesquisa, de caráter qualitativo, foi desenvolvida junto a um grupo de crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 17 anos, participantes de um projeto social no nordeste brasileiro. Como técnicas de geração de dados, foram utilizadas a metodologia das Oficinas, caracterizando uma pesquisa-intervenção, e a observação participante. As formas de registros adotadas foram o diário de campo e a gravação dos encontros em vídeo, seguida de transcrição. Os dados construídos foram analisados a partir do referencial da Rede de Significações, da análise microgenética na matriz histórico-cultural e de uma análise de discurso desde a concepção bakhtiniana de linguagem. As crianças criaram estratégias participativas para lidar com a tensão entre o instituído e a experiência, produzindo sentidos em torno de significados hegemonicamente compartilhados acerca de sua participação. Assim, a participação de crianças acontece em seu cotidiano, nas situações mais simples de interação, nos microespaços das relações, assim como, em práticas participativas socialmente reconhecidas para que esse processo se concretize. Entretanto, as imagens de infância presentes nas práticas com crianças muitas vezes acabam por (for)matar as experiências de ser criança e de participar, desconsiderando os contextos, as demandas e as possibilidades de um tempo que está sendo sempre desfeito, refeito e construído.

  • PATRICIA MENDES LEMOS
  • Considerações éticas sobre o Centro de Atenção Psicossocial no contexto cearense: o olhar do supervisor clínico institucional

  • Data: 15/06/2012
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  • A pesquisa versa sobre o sofrimento e o adoecimento psíquicos no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e os seus desdobramentos éticos. Em meio às demandas e produções subjetivas de um contexto social entendido como tardomoderno, às quais nomeamos como demandas tardomodernas em Saúde Mental, este dispositivo assume a responsabilidade pela compreensão, acolhimento e tratamento de um sujeito historicamente excluído por sua relação com a loucura, constituindo-se como o lugar por excelência do cuidado do outro-alteridade. Parte-se dos seguintes pressupostos: 1) existe uma ética que subsidia práticas específicas de Saúde Mental desenvolvidas no CAPS; 2) as demandas tardomodernas em Saúde Mental são constituídas em sua relação com o contexto histórico-social e; 3) este contexto produz modos específicos de sofrimento e adoecimento psíquicos. Diante disto, logrou-se a compreensão da dimensão ética nos CAPS, chegando ao questionamento primordial: Qual a relação entre a dimensão ética presente nos CAPS e as demandas tardomodernas em Saúde Mental? No decorrer do contato com a alteridade dos textos dos autores que concederam sustentação teórica ao estudo, assim como com o elemento diferença presente nos discursos/textos dos entrevistados, pôde-se constatar que a dimensão ética não seria apreendida, a não ser na singularidade e na complexidade de sua relação com as demandas em questão. Em decorrência disto, adotou-se o objetivo geral de: compreender a dimensão ética no Centro de Atenção Psicossocial em sua relação com as demandas tardomodernas em Saúde Mental. Definiu-se, ainda, como objetivos específicos: caracterizar as demandas tardomodernas em Saúde Mental a partir dos horizontes apresentados pelos supervisores de CAPS e compreender a dimensão ética em sua relação com o CAPS no âmbito da prática de supervisão clínico institucional. Ante a aspiração de captar dimensões compreensivas acerca da temática, elegeu-se a hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer como possibilidade metodológica, por meio do processo de fusão dos diferentes horizontes apresentados, bem como dos elementos de alteridade e historicidade velados nos textos/discursos. A escolha dos supervisores de CAPS como possibilidade de acesso a práxis e às reflexões que permeiam a realidade destes dispositivos deveu-se ao fato de estes sujeitos ocuparem uma posição externa (pois não atuam diretamente no contato com os usuários através de condutas terapêuticas, diferentemente dos técnicos), assim como por sua função prioritária de questionamento e intervenção, a qual, em última instância, visa ao cumprimento dos princípios ético-políticos que os CAPS propugnam em consonância com os objetivos da Reforma da Saúde Mental. Foram então realizadas sete entrevistas semi-estruturadas, que serviram ao exercício interpretativo de cunho filosófico. As questões suscitadas e os elementos dados à nossa compreensão constituíram um tripé de análise, cujas resultantes foram condensadas em temáticas específicas, sendo estas reveladoras dos objetivos almejados em relação à dimensão ética subjacente ao CAPS. Tais temáticas configuraram: os aspectos deontológicos e os limites éticos do sistema de Saúde Mental, as demandas tardomodernas e a exigência ética do outro e, o lugar da ética no Centro de Atenção Psicossocial. Perpassando uma pertinente discussão sobre o lugar do sofrimento e do adoecimento psíquicos nos CAPS, sua relação inseparável com o contexto histórico-social e a complexidade de aspectos que envolvem dimensões éticas, chegou-se a apontar a radicalidade ética levinasiana como parâmetro, a partir do qual as práticas de Saúde Mental pudessem ser repensadas e reinventadas, para o alcance de respostas mais pertinentes e consonantes com a grandeza do outro-alteridade, cuja presença impõe-se de modo irrecusável aos atores participantes de um processo de mudança em permanente construção.

  • CARMEN SILVIA NUNES DE MIRANDA
  • Ética radical e psicoterapia centrada na pessoa: uma investigação acerca da abertura à alteridade radical na relação terapêutica a partir de discursos de psicoterapeutas sobre o inusitado em sua prática clínica

  • Data: 01/06/2012
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  • Este estudo se constitui numa pesquisa de natureza qualitativa, de caráter descritivo e exploratório. Intenta contribuir para uma discussão ética no campo da prática clínica, tendo como referências a ética radical de Emannuel Lévinas e a Psicoterapia Centrada na Pessoa. O objetivo geral é compreender as possibilidades de abertura à alteridade radical na relação terapêutica a partir de discursos de psicoterapeutas centrados na pessoa sobre sua prática clínica. Para tanto, realizamos entrevistas semiestruturadas com cinco psicoterapeutas acerca de experiências com o inusitado em sua prática clínica. A interpretação dos discursos teve inspiração na hermenêutica derridiana, focalizando como proposta a ideia de desconstrução, por permitir a emergência da diferença advinda do próprio discurso. Na desconstrução dos discursos, pudemos nos aproximar de possíveis espaços de abertura à alteridade na relação terapêutica, discorrendo sobre a vulnerabilidade e responsabilidade do terapeuta frente ao inusitado. Numa postura de acolhimento, o terapeuta deveria permitir-se a utilização da sensibilidade e da intuição nos atendimentos, estando com o cliente em seu sofrimento a partir das atitudes facilitadoras como possibilitadoras de uma compreensão do cliente como enigma.
  • ROSA ANGELA CORTEZ DE BRITO ALMEIDA
  • A criança como outro: uma leitura ética da Ludoterapia Centrada na Criança

  • Data: 01/06/2012
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  • A Ludoterapia Centrada na Criança, aqui entendida não somente na proposta original de Axline, mas também a partir da ótica de VanFleet, Sywulak e Sniscak, trazem o brincar como um diálogo lúdico que propicia a expressão dos sentimentos e a expansão das possibilidades na história de vida da criança. A terapia ajudaria a criança a identificar, reconhecer e expressar melhor seus sentimentos. Cabe ao terapeuta, portanto, apresentar habilidades que possibilitem  um espaço de segurança para a expressividade da criança. Essa habilidade do terapeuta é compreendida por Amatuzzi como uma predisponibilidade ética. Para que a ética da LCC seja pensada em seu viés filosófico, toma-se como base para este trabalho a ética da alteridade radical de Lévinas, que propôs a responsabilidade como estrutura da subjetividade. A condição ética se daria na abertura e disponibilidade ao Outro, à sua diferença. O Outro levinasiano não conceituável, antecedente e transcendente ao ser estabelece uma relação de assimetria com o Mesmo. Partindo dessas perspectivas, apresenta-se a questão norteadora desta pesquisa: Qual o lugar destinado ao radicalmente Outro na Ludoterapia Centrada na Criança? Para responder tal questionamento, o seguinte objetivo geral foi traçado: analisar o lugar destinado ao Outro na Ludoterapia Centrada na Criança. Os objetivos específicos são: a investigação entre alteridade e subjetividade, a partir da ética levinasiana, na Ludoterapia Centrada na Criança; a realização da releitura da Ludoterapia Centrada na Criança, a partir do radicalmente Outro. A metodologia utilizada é a hermenêutica filosófica de Gadamer, que propõe a fusão de horizontes entre autor e intérprete para a criação de um novo horizonte de compreensão. A partir das aproximações entre a Abordagem Centrada na Pessoa e a Ética da alteridade radical, realizadas por Vieira e Freire e Schmid, apresenta-se como resultados a existência de espaço para o Outro levinasiano na Ludoterapia Centrada na Criança, desde que o terapeuta seja abertura e disponibilidade ao trauma que representa a chegada da criança, em sua diferença absoluta. Verifica-se, também, que a criança que chega para o atendimento se apresenta como Rosto, que remete ao Infinito e à transcendência do Outro. A criança, portanto, seria entendida como o Outro levinasiano, a quem o terapeuta é intimado a responder. Para que a abertura do terapeuta seja possibilitada, este deve vivenciar processos permanentes de inadaptação no face a face com a criança. Presta-se agradecimentos pelo apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) no desenvolvimento deste trabalho.

  • AUREA JULIA DE ABREU COSTA
  • "Professora também sente": significados e sentidos sobre a afetividade na prática docente

  • Data: 24/04/2012
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  • O presente estudo analisa a afetividade de professoras alfabetizadoras e suas implicações nas práticas empreendidas por essas profissionais. A dimensão afetiva configurou-se histórica e culturalmente como temática negligenciada no contexto da ciência psicológica e da educação. Atualmente, presenciamos a constituição de uma tendência a considerar a afetividade, como dimensão indissociável do sujeito e das práticas sociais. Na educação, assistimos a produção de diversos trabalhos abordando a afetividade na perspectiva do sujeito discente e seu impacto na aprendizagem, ao mesmo tempo em que, constatamos a escassez de trabalhos que compreendam a afetividade do professor e os possíveis impactos dessa dimensão na prática docente. Desta feita, objetivamos compreender a afetividade de duas professoras de 1º ano de ensino fundamental, dado que esta série concentra as expectativas de toda a comunidade escolar em torno da alfabetização dos alunos, constituindo um contexto social suscitador de múltiplos sentimentos e emoções nos sujeitos envolvidos, especialmente na professora, sujeito socialmente incumbido da nobre tarefa. Como objetivo geral da pesquisa, pretendemos analisar os significados e sentidos atribuídos pelas professoras de 1º ano do ensino fundamental a sua própria afetividade (emoções e sentimentos), que perpassa as interações estabelecidas com os alunos no processo de ensino-aprendizagem. Quanto aos objetivos específicos, propôs-se a identificar as concepções das professoras de 1º ano do ensino fundamental, a respeito da afetividade na prática docente; identificar os significados e sentidos que as professoras de 1º ano do ensino fundamental atribuem às suas emoções e aos seus sentimentos nas interações que estabeleceram com os alunos no processo de ensino-aprendizagem; e ainda, compreender como os significados e sentidos atribuídos, por elas, às suas emoções e aos seus sentimentos repercutiram na sua prática docente. Partimos do referencial teórico da psicologia histórico-cultural, especialmente, das contribuições de Vigotski sobre a constituição dos significados e sentidos, como unidade elementar do desenvolvimento integrado do pensamento e da linguagem, por traduzirem em sua gênese as tendências afetivo-volitivas do sujeito. Recorremos à teoria da subjetividade de Fernando González Rey, que compreende a subjetividade como produto da interação dialética entre o sujeito e o meio sócio-cultural, buscando superar a tradicional concepção empreendida pela psicologia, que a define como uma espécie de mundo interno ao sujeito, que se opõe inelutavelmente a uma realidade externa. Utilizamos procedimentos concernentes à metodologia qualitativa: observações realizadas nas duas salas de 1º ano do ensino fundamental, com gravações de vídeos que retratavam interações entre professora e alunos; entrevistas semi-estruturadas com as duas professoras e sessões de autoconfrontação simples e cruzadas com as professoras. Os resultados apontaram que ambas as professoras apresentaram dificuldades para reconhecer e considerar os próprios sentimentos e emoções evidenciados nos vídeos, e quando o fizeram, não avançaram na discussão dos mesmos, tergiversando para a consideração de aspectos outros, secundários à temática em questão. Apresentaram concepções estruturadas de afetividade e demonstraram que tal dimensão impacta as práticas que empreendem, na medida em que as impacta como sujeitos docentes. Tais resultados apontam para a premência em se considerar a afetividade no contexto da prática docente. Isto significa propiciar espaços de reflexão com os professores sobre a afetividade realmente vivida nas interações professor-aluno, o que implica a possibilidade de ressignificação e redimensionamento de práticas empreendidas, não somente a produção de um conhecimento teórico sobre a afetividade, como categoria geral e abstrata, que contribui para a construção de afetividade meramente intelectualizada.

  • ELIVIA CAMURCA CIDADE
  • Juventude em condições de pobreza: modos de vida e fatalismo

  • Data: 09/03/2012
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  • Os jovens pobres, costumeiramente associados à vitimização pelo envolvimento com drogas, práticas ilícitas e atos violentos, experienciam no cotidiano inúmeros desafios como a necessidade de superação das adversidades e privações cotidianas e a busca pelo alcance dos ideais a eles destinados de obtenção de realizações pessoais e profissionais. A pobreza, considerada sobre o ponto de vista multidimensional, impõe limitações que reforçam as experiências de constante insegurança. Diante dos investimentos frustrados em mudar a realidade, a atribuição da responsabilização dos fenômenos cotidianos a uma entidade superior aparece como alternativa para lidar com o clima de tensão social comum à guerra psicológica e que tem no fatalismo a expressão das conseqüências danosas de viver em uma cultura da pobreza. Dessa forma, esta pesquisa questiona-se como o fatalismo, enquanto fenômeno psicossocial, manifesta-se em jovens que vivem em condições de pobreza? A metodologia utilizada, de natureza qualitativa, orienta-se segundo o objetivo geral ‘analisar a relação existente entre as manifestações do fatalismo e os modos de vida da juventude em condições de pobreza’. A  pesquisa foi desenvolvida junto ao Projeto Jovem Aprendiz, realizado pelo Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim, localizado na periferia da cidade de Fortaleza (Ce). A coleta de dados compreendeu observação participante entre os meses de março e junho de 2012, realização de dois grupos focais, estando presentes 6 sujeitos em cada ocasião, e de autofotografia aliada à entrevista em profundidade com duas jovens que haviam participado dos grupos. Os dados gerados foram analisados a partir da proposta da Análise de Conteúdo Temática de Laurence Bardin com auxílio do software de análise qualitativa Atlas TI 5.2. Foram obtidas 41 categorias, organizadas segundo grandes categorias ou famílias intituladas de ‘modos de vida da juventude pobre’, ‘vida em condições de pobreza’ e ‘manifestações do fatalismo’. Ao final, a percebe-se que a insegurança decorrente da vida em condições pobreza faz com que os sujeitos construam lógicas randômicas e dissonantes dos reais fatores, fazendo com que a atribuição da responsabilidade dos fatos a uma entidade divina se constitua como elemento apaziguador das tensões sociais e do sofrimento psíquico oriundo da insegurança de viver na pobreza. Instaura-se um processo progressivo de individualização do social, que auxilia na instalação da culpabilização psicológica dos indivíduos e na perpetuação do fatalismo. O desenvolvimento de práticas pautadas na práxis de libertação aparece como possibilidade de trazer os jovens à reflexão e ao diálogo sobre os reais fatores impulsionadores das manifestações fatalistas. Agradecimentos à CAPES.

  • JAMES FERREIRA MOURA JUNIOR
  • Reflexões sobre a Pobreza a partir da Identidade de Pessoas em Situação de Rua de Fortaleza

  • Data: 09/03/2012
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  • A pobreza concebida no modelo multidimensional acarreta formas específicas de constituição identitária, geralmente estruturadas em perspectivas opressoras de manutenção do status quo e de enfraquecimento das potencialidades dos indivíduos a partir do processo de estigmatização do pobre. As pessoas em situação de rua estão posicionadas na representação mais opressora dessa realidade de pobreza, pois são privadas de condições básicas de moradia, alimentação, segurança, assistência, saúde e educação, como também são constantemente alvo de agressões e de práticas discriminatórias. Partindo desses pressupostos, estabelece-se a pergunta: Como se constitui a identidade de pessoas em situação de rua de Fortaleza a partir da realidade de pobreza? Assim, o objetivo geral é analisar a identidade de pessoas em situação de rua de Fortaleza a partir da realidade de pobreza. Os objetivos específicos são: descrever a realidade de pobreza vivida pelas pessoas em situação de rua; analisar os processos de construção da identidade das pessoas em situação de rua; e relacionar a realidade de pobreza e suas repercussões na identidade das pessoas em situação de rua. O percurso metodológico da pesquisa é embasado pelo âmbito qualitativo, utilizando as técnicas de entrevista narrativa, de observação participante e de diários de campo. Foram entrevistados quatro pessoas e realizadas observações participantes em diversas situações. A pesquisa ocorreu no Abrigo Provisório para pessoas em situação de rua removidas da Praça da Bandeira e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social para população de Rua (CREAS-POP). Ambos estão vinculados a Secretaria Municipal de Assistência Municipal da cidade de Fortaleza. A análise dos sentidos da pesquisa foi baseada na análise temática narrativa. Como resultado, é verificado a preponderância de papéis sociais, personagens e formas de reconhecimento relacionados de forma depreciativa a identidade social de pobre e de morador de rua, gerando práticas de discriminação, de agressão e de ofuscamento das compreensões das pessoas em situação de rua como portadoras de potencialidades. É também observado a utilização da situação de rua por esses indivíduos como espaço de construção de vínculos, de manifestação de liberdades e de afetividade. É apontado, por fim, a necessidade de fomento de processos cooperativos, dialógicos e críticos para superação dessa situação de opressão. É prestado agradecimentos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

2011
Descrição
  • ROBSON JOSÉ FEITOSA DE OLIVEIRA
  • Fetichismo da Mercadoria e Subjetividade Contemporânea: Uma Análise Psicossocial da Crise do Potencial de Transcendência à Realidade Imediata no Quadro das Novas Gerações de Jovens

  • Data: 02/12/2011
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  • O presente estudo busca estabelecer relações críticas entre o fetichismo da mercadoria e o que chamamos de crise no potencial de transcendência à realidade imediata no quadro das novas gerações de jovens. Portanto, trata de refletir sobre as capacidades utópicas do homem enquanto um ser não apenas preso ao real, mas um ser passível de criar o possível para além da realidade estabelecida. Essas reflexões nasceram de uma inquietação advinda de minha prática docente de quase dez anos com jovens, na faixa etária entre 13 a 18 anos. Esse tempo possibilitou observar vários aspectos relacionados aos comportamentos e pensamentos dos jovens, em especial, com relação ao consumo e às formas de adesão aos ideais subjetivos transmitidos pelas mercadorias, via publicidade. Em termos teóricos, uma releitura da crítica de Marx ao Fetichismo da Mercadoria fez-se fundamental para compreendermos, contemporaneamente, um novo nível de fetichismo referente ao nível do desejo. Ou seja, atualmente a mercadoria não seria mais apenas aquela que determina a vida social objetivamente por se instalar como a priori tácito (KURZ, 2008), mas também passa a ser objeto de identificação idealizada por parte dos consumidores. Deste modo, tem-se que a lógica da mercadoria na contemporaneidade pretende criar um mundo em que nada precisa ser renunciado, um universo espetacular em que haveria um processo de pacificação entre indivíduo e sociedade. Nesta perspectiva, nossa hipótese é a de que vem ocorrendo uma paulatina perda do potencial de transcendência nos jovens em prol de uma adesão inconteste ao presente imediato. O conceito de fetichismo da mercadoria em Marx, bem como as reflexões desenvolvidas pelos teóricos da Escola de Frankfurt, notadamente Marcuse, Adorno e Benjamin, constituem a base teórica principal de nosso estudo, além de autores mais contemporâneos como Debord, Kurz, Jappe, Kehl, Freire Costa, Bauman, Dufour, Jacoby, Ramos e Severiano. Trata-se de um estudo preponderantemente teórico que se vale metodologicamente, além dos autores mencionados, das “Memórias do autor” – memórias por mim estruturadas a partir das anotações de aula referentes a temáticas mais significativas para nosso objeto de estudo. Nossas análises indicam a existência de uma idealização dos objetos de consumo nos jovens; um culto ao imediato; além de um culto ao prazer ligado não apenas ao consumo de objetos, mas sobretudo ao consumo de pessoas, considerados por vezes, supérfluos e efêmeros. Nossas reflexões finais apontam não para uma absoluta identificação entre real e possível, mas para uma tendência a que o terreno do real, presidido pela lógica mercantil, mantenha cativo o terreno do possível.

  • JULIANA MARIA GIRAO CARVALHO NASCIMENTO
  • Os (Des)Caminhos das Mulheres no Teatro de Nelson Rodrigues: Uma Articulação entre o Teatro e a Psicanálise

  • Data: 16/09/2011
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  • Esta dissertação se debruça sobre algumas das personagens mulheres emblemáticas do teatro de Nelson Rodrigues, visando investigar os possíveis caminhos ou descaminhos dessas personagens, a fim de compreender as diversas expressões da sexualidade feminina, bem como as fantasias e posições subjetivas que as mulheres rodriguianas ocupam no exercício dessa sexualidade e no amor. Considerando a virulência do teatro rodriguiano e o poder da arte de dar expressão às formações do inconsciente, supomos que a dramaturgia de Nelson Rodrigues pode trazer importantes contribuições para o avanço do saber psicanalítico sobre a sexualidade feminina. Para tanto, essa investigação tomou como material de análise as peças: Senhora dos Afogados, Vestido de Noiva e A Serpente. Tendo como base o referencial teórico da Psicanálise, foram fundamentais para guiar essa investigação os conceitos freudianos de inconsciente, pulsão, recalque, complexo de Édipo, fase pré-edipiana, complexo de castração, identificação e supereu; bem como a categoria teatral da ação. A presente pesquisa foi bibliográfica e buscou, na análise do discurso das peças, ater-se às sutilezas do texto rodriguiano, enquanto discurso veiculado pela palavra e pela ação. Desse modo, as mulheres do teatro de Nelson Rodrigues mostraram-se, sobretudo, arrebatadas pela paixão e pela voluptuosidade, em nome de um “querer” que ultrapassa o desejo e o encontro com o objeto; “querer” que parece se escorar também na figura da “outra mulher”, depositária de um amor ambivalente por excelência.

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